#CARÁTER #PERSISTÊNCIA#DISCIPLINA#HUMILDADE

Podcast#18 – Treino de força para corredores de rua – Amamos lactato!

Treino de força para corredores de rua é uma ciência apaixonante!

Cada vez maior do Brasil, o número de corredores de rua só aumenta a cada ano, o que praticamente nos obriga a entender o que um corredor precisa em relação ao treinamento de força. Vamos mais uma vez quebrar paradigmas!

Falo sobre a relação testosterona e cortisol, sobre o marcador de desgaste muscular CK e claro, sobre nosso querido e amado lactato!

Meu abraço à Márcia e Agrinaldo, meus “pupilos”!

Você pode querer ler isso https://esportes.estadao.com.br/blogs/corrida-para-todos/alinhamento-da-pelve-melhora-a-corrida/

Existem três coisas nesse mundo que não gostamos de desperdiçar: tempo, dinheiro e LACTATO!

Saiba sobre tudo isso no episódio #18 do nosso Podcast!

Veja mais sobre lactato (nosso queridinho!) nesse excelente artigo dos meus amigos do Quatrode15

E aqui o artigo que cito no áudio sobre a relação testosterona e cortisol em corredores!

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Osteoporose: Treinamento de Força é o melhor caminho

A osteoporose acomete na sua grande maioria mulheres. Estima-se que de cada quatro casos, três tenham “elas” como vítimas. Assim como a hipertensão e o diabetes, também é silenciosa, progredindo pouco a pouco e perigosamente, elevando os riscos de fraturas nas mais simples quedas ou choques.

COMO A OSTEOPOROSE SE DESENVOLVE?

Durante nossa vida, e principalmente após  puberdade, o osso sofre o que chamamos de remodelação óssea. Isso significa que de tempos em tempos as células do tecido ósseo se renovam.

Essa remodelação óssea é controlada por um grupo de células denominadas Osteoblastos e Osteoclastos. Ainda que pareçam complicados em um primeiro momento, o nome e ação de cada uma delas é entendida quando levada ao pé da letra no idioma grego, onde Blast significa germinar e Clast quebrar. Portanto, a função dos osteoblastos é gerar novas células ósseas, enquanto os osteoclastos literalmente quebram as células já existentes para que haja possibilidade de remodelação, em um ciclo vitalício.

Essa façanha genial do corpo (mais uma!) sofre influência de muitos fatores, entre os quais hormonais (paratormônio e calcitonina) , nutricionais (ingestão de cálcio e vitamina D), ambientais (síntese endógena de vitamina D via luz solar) e claro, do estresse mecânico, carinhosamente chamado de exercício físico, especialmente o treinamento de força. Isso mesmo! Ao contrário do que muitos médicos dizem, treinamento de força bem planejado é infinitamente melhor para a saúde óssea do que meras caminhadas e sessões de hidroginástica.

 

Osteoporose, Osteopenia e Densidade Mineral Óssea

Fica claro então o porque do surgimento da osteoporose. Um balanço adequado entre a ação de osteoblastos e osteoclastos determina a densidade mineral óssea (DMO), que por sua vez tende a decair em períodos específicos da vida,dando origem  a um quadro diagnosticado como osteopenia. A osteopenia em estágio avançado e sem os tratamentos adequados leva ao quadro de osteoporose. 

 

1 a cada 4 mulheres após os 40 anos desenvolve o quadro de osteopenia

As fraturas mais comuns são as de fêmur, vértebras, punhos e ombros.

Abaixo vou falar de modo simples e objetivo sobre cada fator:

OSTEOPOROSE E HORMÔNIOS

Hormônios também interferem no metabolismo ósseo, entre eles GH, glicocorticóides, hormônios tireoidianos e sexuais. Entretanto, vou me ater aqui aos principais deles, mais latentes e responsivos diretamente no processo degradação/neoformação do tecido ósseo.

Entre os hormônios secretados pela glândula tireoide esta a calcitonina. Ela tem uma função bem definida, inibir a atividade dos osteoclastos e fixar o cálcio e fosfato no tecido ósseo. Essa somatória de fatores diminui a probabilidade de osteopenia e por sua vez da osteoporose.

Um hormônio que age de forma antagônica à calcitonina é o paratormônio. Ele também atua regulando os níveis de cálcio no sangue, aumentando a concentração sérica de cálcio. Sua importância é ainda maior se considerarmos que ele atua como grande agente estimulador de calcitriol pelos rins, a forma ativa da vitamina D.

Portanto, um funcionamento adequado desses hormônios regula de maneira ativa o balanço da atividade de osteoclastos e osteoblastos.

OSTEOPOROSE, MENOPAUSA E ESTROGÊNIO 

Quando a mulher atinge o período da menopausa, os níveis de estrogênio caem assustadoramente. Isso ocorre em sua maioria em idades entre 45 e 55 anos. O estrogênio é um reconhecido protetor do osso, inibindo a atividade osteoclástica. Uma vez que sua atividade diminui, a probabilidade do surgimento do quadro de osteopenia de acentua muito. E caso não haja uma intervenção, seja ela em relação á reposição hormonal ou à inclusão do exercício em si, o progresso rumo a osteoporose fica ainda mais provável.

Daí a explicação: por que as mulheres tem maior incidência de casos de osteopenia e osteoporose?

 

TREINAMENTO DE FORÇA SIM SENHORA!

Entre os tantos benefícios do treinamento de força está o auxílio no tratamento da osteoporose, retardando muito seus avanços às custas de complexos eventos fisiológicos, especialmente à resposta piezo-elétrica gerada pela sobrecarga exercida no tecido ósseo quando em  contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas).

 

 

Ou seja, ainda que possa parecer estranho em um primeiro momento sim, é necessário que haja certo estresse mecânico para essa resposta fisiológica seja positiva a ponto de retardar os avanços da osteopenia e da osteoporose.

Isso quer dizer que não será de tanta valia atividades como hidroginástica e natação, onde o tecido ósseo é pouco ativado por sobrecarga mecânica.

Pois é.

E claro, a interleucina-6, o fator do exercício como citado nesse artigo (um dos meus favoritos) tem grande modulação na ação da vitamina D, do controle de cálcio e por consequência na saúde do osso. E sim, a interleucina-6 é ativada através da contração muscular!

O exercício extrapola todas as expectativas. Pena que muitas vezes ele é “vendido” como algo trivial e dispensável.

Não é!

 

OSTEOPOROSE E EXERCÍCIO

Dentro da nossa experiência com esse público, considero seguir um protocolo que tem se mostrado infalível:

  • Análise do exames de densitometria óssea e verificação dos quadro da densidade mineral óssea, de preferência dos últimos 3 meses;
  • Avaliação funcional do movimento para checagem de possível superexposição articular em determinadas alavancas;
  • Início do programa específico de treinamento de força. Esse passo depende essencialmente dos dois que o precedem, para que a eleição dos padrões motores seja feita de maneira responsável e certeira, visando segurança e principalmente resultado.O simples fato de estar inserido em uma atividade física não quer dizer que esteja sendo gerado os efeitos fisiológicos necessários para a assimilação positiva do sistema orgânico em resposta à osteoporose. Consulte um profissional de educação física.

 

Saiba mais nesse link, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O papel da educação física na saúde pública muitas vezes passa despercebido. Somos agentes formadores da sociedade e ainda não consegui dimensionar o tamanho da nossa importância.

Enviem dúvidas! Vou gravar um Podcast respondendo seus questionamentos em relação à osteoporose e exercício.

Até!

Podcast#16 – Manipulação de cargas em treinos tensionais e metabólicos

A manipulação de variáveis de cargas determina o sucesso, tanto do treino com ênfase tensional, como em ênfase metabólica.

Consegue dissociar um do outro? Tem dúvida do que caracteriza cada um? E como aplicar no macrociclo do seu cliente?

Saiba sobre tudo isso no episódio #16 do nosso Podcast!

Realmente o treinamento de força é uma arte! Falo sobre nomes como Charles Poliquin, Jim Wendler e Mark Verstegen. Ideal para quem gosta de periodização!

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Podcast#13 – #NoMachine – Construir força sem máquinas: simples e genial

Invictus

NÃO EXISTE A MÍNIMA NECESSIDADE EM SE UTILIZAR DE MÁQUINAS PARA A CONSTRUÇÃO DE FORÇA E HIPERTROFIA.

Ouça o que tenho a dizer sobre a construção de força e hipertrofia, baseada nos quatro pilares fundamentais desse tipo de treinamento: AGACHAMENTO, PRESS, SUPINO E DEADLIFT.

Faça como os melhores levantadores do mundo: dispense as máquinas.

Enjoy!

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Interleucinas – Músculo como Órgão Endócrino e Imune

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INTERLEUCINA- MENSAGEIRO MEDIADO PELO EXERCÍCIO. Te parece um tema complicado? Nem tanto. Acompanhe agora como o exercício é de fato fabuloso.

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Se eu te perguntar assim: A prática de exercícios é saudável?

Sua resposta com certeza seria sim.

Mas, e se eu perguntar: É saudável porque? O que acontece com o corpo para que essa resposta seja afirmativa (e correta aliás).

Por que o exercício pode resultar em menor incidência de dores musculares e articulares? Por que ele é recomendado em casos de Alzheimer e Parkinson? Como ele pode atenuar alguns quadros deletérios de câncer?

Vamos entender!

Se eu te perguntasse agora! Cite 3 órgãos do corpo e seus funções! Eita, prova oral, na lata!

Fígado! Porque secreta as somatomedinas, auxiliando no crescimento de tecidos. Tá certo! 😁

Pâncreas! Porque secreta a insulina! Isso ajuda a modular o metabolismo da glicose, e portanto a estabilizar estado de diabetes. Perfeito! 🤗

Tireóide! Porque secreta hormônios que orquestram o metabolismo como um todo! Tirou 10 😂

E se eu te disser que existe um órgão que secreta um sinalizador que faz tudo isso ao mesmo tempo?

Esse órgão é o músculo!

Sim, o músculo esquelético, esse que você usa para se locomover. Mas tem uma condição. Para que esse sinalizadores entrem na corrente sanguínea e cheguem a seus destinos específicos, eles precisam ser contraídos de modo e frequência correta. Olha o exercício aí!

Primeiro, tenho que explicar que durante muito tempo o músculo esquelético foi considerado “apenas” uma estrutura do sistema locomotor. E também durante muito tempo nos preocupamos em saber mais sobre os músculos estudando os ossos (!!!), ao buscarmos suas origens e inserções, limitando suas ações a eventos mecânicos e cinesiológicos.

Entretanto, com o avanço nos estudos da fisiologia do exercício, foi possível perceber que o músculo esquelético é capaz de mediar inúmeras respostas positivas ao corpo perante as contrações musculares.

O músculo é considerado glândula endócrina porque secreta sinalizadores denominados citocinas que atuarão em si mesmo e em outros tecidos do corpo. No entanto, assim como as citocinas secretadas pelo tecido adiposo são denominadas adipocinas, tão logo as citocinas secretadas pelos músculos são as miocinas.

 

MIOCINAS – OS MENSAGEIROS DA CONTRAÇÃO MUSCULAR

O ciclo que chamamos de contração muscular (ciclo alongamento-encurtamento) acontece como na figura abaixo. A medida que as fibras deslizam entre si, as sinalizações químicas e metabólicas no meio intracelular passam a acontecer em velocidade e intensidade muito aumentadas. Assim, as miocinas passam a exercer seus papéis, de acordo com a intensidade do exercício. Por essas e outras somos apaixonados😍 pelo treinamento de força.

Nota: Quanto maior o grupamento muscular envolvido em determinado exercício, maior a resposta fisiológica. Penso muito na utilização do bíceps por exemplo nos exercícios de padrão motor puxar como a barra fixa ou o chin-up. A eficiência fisiológica justifica escolher um deles em detrimento a um exercício isolado como a rosca direta por exemplo.

Saiba como elevar suas cargas nos principais levantamentos em 8 semanas 👉/força

E afinal, quais são essas miocinas? E onde e como atuam.

Se surpreenda, e fique aliviado. Você possui nada menos que uma usina geradora de saúde.

 

INTERLEUCINAS: SINALIZADORES FISIOLÓGICOS DE PRIMEIRA LINHA

Dentro das miocinas estão as INTERLEUCINAS. Essas especificamente serão abordadas com muito afinco nas próximas linhas desse post, já que a contração muscular é um dos primeiros passos para sua secreção.

Na verdade, a produção das interleucinas é mediada por dois tipos de células do sistema imune, os macrófagos e os linfócitos, em resposta à lesões ou infecções. Em decorrência da intensidade e volume das contrações musculares (em especial as excêntricas), essas células entram em ação como primeira linha de defesa do corpo, resultando na secreção de interleucinas.

Outros fatores são determinantes para a secreção de citocinas, como o estresse oxidativo (produção de espécies reativas de oxigênio, conhecidas como Radicais Livres), e estresse hormonal (alterações agudas e/ou crônicas do sistema endócrino perante o treinamento). Ambas são altamente dependentes do exercício físico.

Veja abaixo como o músculo modula as respostas endócrinas e imunes para cada tipo de interleucina.

INTERLEUCINA-1 [IL-1] – RESPOSTAS AO EXERCÍCIO

A interleucina-1 possui dois sub-tipos: a interleucina-1 alfa (IL-1α)  e interleucina-1 beta (IL-1β), porém, ambas são praticamente indistinguíveis perante suas ações.

Como resposta ao exercício, seja ele de endurance (corridas ou bike por longo período de tempo) ou de força 😍, a secreção de interleucina-1 (IL-1) se torna aumentada.

Suas principais ações são:

  • Aumento da temperatura corpórea*;
  • Aumento da resposta dos hormônios corticosteroides, principalmente o cortisol
  • Aumento da vasodilatação
  • Aumento da hipotensão

*Em estados de treinamento exacerbados, com grandes intensidades e volumes sem medida, é comum observar como resposta períodos de febre e de maior suscetibilidade à infecções de garganta e a resfriados, muito em função do aumento da resposta dessa interleucina, que por sua vez gera uma resposta em cascata de outras interleucinas.

Nada em excesso é bom. Nem o exercício.

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INTERLEUCINA-6 [IL-6] – RESPOSTAS AO EXERCÍCIO

A atuação da interleucina-6 (IL-6) decorrente do exercício é imensamente superior a qualquer outra interleucina já observada em estudos. Tal fato a deixa conhecida no meio acadêmico e científico como “fator do exercício“.

A interleucina-6 é notoriamente secretada por macrófagos e linfócitos perante ás lesões musculares causadas pelo exercício. A linha de defesa do corpo esta permanentemente vigilante para que caso ocorra algum evento agressor ao nosso sistema, a resposta anti-inflamatória seja rápida e eficaz.

No entanto, a secreção de interleucina-6 é observada como produto do próprio músculo, sendo muito comentada e enaltecida na fisiologia do exercício como o big-boss do sistema imune dentro do treinamento. (termo usado pelo mestre Waldecir de Paula Lima, meu professor da faculdade, que desde sempre fez questão de apresentar o exercício como saúde. Minha gratidão).

Volto a dizer: quanto maior o grupamento muscular envolvido, tão maior será a resposta fisiológica, e dentro do contexto que estamos falando, maior a secreção de interleucina-6.

E é por isso que sou apaixonado pelos efeitos gerados por boas periodizações de agachamentos, dedlift’s e exercícios de potência muscular. #ficaadica

Suas ações envolvem efeitos imunes, metabólicos e endócrinos:

  • Resposta anti-inflamatória sistêmica ( atingem o corpo todo)
  • Modulam captação de glicose (ótima notícia aos diabéticos 🐝)
  • Modulam a oxidação de ácidos graxos (ótima notícia para a galera do colesterol alto )
  • Promovem gliconeogênese (formação de glicose hepática decorrentes de outros substratos)
  • Promovem lipólise (“Quebra” do tecido adiposo para sua utilização no exercício) Cê é loco 😱

 

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INTERLEUCINA-8 [IL-8] – RESPOSTA AO EXERCÍCIO

Na mesma linha de atuação se encontra a interleucina-8. Ainda que não tão abundante e responsiva quanto a interleucina-6, ela atua como um agente fundamental no efeito hipotensor do exercício por promover o que chamamos de angiogênese, ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos. Isso é absolutamente espetacular, visto que esta condição atenua os efeitos da hipertensão arterial, sendo portanto um fator fundamental na prevenção e no tratamento dessa silenciosa e assustadora condição.

Aliás, estamos perdendo e feio para a hipertensão. Além dos efeitos deletérios à saúde e suas complicações como AVC’s e infartos, o impacto econômico é gigantesco para seu tratamento. O exercício pode atenuar essas condições, basta duas coisas: conhecimento técnico do profissional de educação física na prescrição adequada e vontade por parte do enfermo. Simples assim.

 

INTERLEUCINA -15 [IL-15] – RESPOSTA AO EXERCÍCIO

A interleucina-15 modula ativamente a síntese proteica no próprio músculo. Isso quer dizer que essa citocina participa para os processos anabólicos pós-exercício. O crescimento muscular, muito além do fins estéticos, faz com que todas as respostas que vimos anteriormente sejam ainda mais acentuadas.

Isso não quer dizer que tenhamos que formar brutamontes nas academias (até porque o crescimento muscular que observo por aí é fundamentalmente farmacêutico, e eu não sou farmacêutico), mas que ao promover uma massa muscular responsiva e permanente, todos, inclusive idosos se beneficiam de seus anti-inflamatórios naturais. O exercício é para todos ou não?

 

INTERLEUCINA: FUNDAMENTAL EM ESTADOS DE CÂNCER

Sim, essa é outra doença cada vez mais voraz e comum, infelizmente. Nos últimos anos muitas estratégias clínicas vem sendo estudadas e aplicadas para atenuar os efeitos do câncer e devolver ao paciente um estado de qualidade de vida suficientemente aceitável.

Um estado muito comum em pacientes nesse estado é a caquexia, que se caracteriza por uma perda acentuada e progressiva do tecido muscular, levando a uma perda de peso repentina e desmedida.

Como visto acima, as interleucinas tem papéis endócrinos e imunes, sendo mediadas pela intensidade e volume do exercício.

Isso envolve diretamente estratégias para com o sistema imunológico. Esse artigo de pesquisadores americanos da Carolina do Sul aponta os promissores resultados de tratamentos de pessoas com câncer através da interleucina-6.

Esse pessoal do American Journal Physiology também aborda a interleucina-6 em eventos simultâneos com outros agentes sinalizadores, como a mTOR, o IGF-I e o AMP-K, reduzindo drasticamente a perda de massa muscular, evidente na caquexia.

MINHA EXPERIÊNCIA COM ESSE PÚBLICO

Tenho visto um aumento gradual desse público nas academias. Ainda que o quadro clínico não seja o desejado, a maneira com que se olha para o exercício me deixa animado.

Entre os anos de 2015 e 2017 pude atender nada menos que 7 pessoas em condições assim, com idades entre 25 e 45 anos. As que descobriram o tumor já tendo em sua rotina o treinamento físico tiveram efeitos menos agressivos (subjeção de cada paciente e minha percepção como treinador) decorrentes dos processos de quimioterapia e radioterapia. Os mais comuns são relatos de náuseas, dores absurdas pelo corpo e profundas dores de cabeça.

E sim. O exercício participa como agente fundamental para atenuar os efeitos do câncer, sobretudo na caquexia e nesses efeitos indesejados de quimio e radioterapia.

Não se trata do famigerado 3 de 10. Se trata de modular adequadamente volume versus intensidade, e saber quais respostas são esperadas. Não alugo máquinas, ofereço treinamento.

Tenho certeza que o papel fundamental das interleucinas se mostra como uma das vertentes mais promissoras para quem trabalha com treinamento físico. E isso pode ser observado na rotina dos pacientes em questão.

Posso garantir que são de fato exemplos de vida e verdadeiros guerreiros, sobretudo na esperança de cada um.

PS. Graças a Deus todos continuam entre nós.

INTERLEUCINA – O HEROI POUCO ABORDADO NO TREINAMENTO FÍSICO

Espero ter tido sucesso nessa tarefa extremamente complicada de abordar tanta bioquímica, tantos nomes complicados,enfim…

Na minha visão é mais que necessário que informações como essas cheguem ao público para colocar o exercício e o treinamento de fato em seu devido lugar: base fundamental da vida.

Aos profissionais que estão lendo esse artigo, meu pedido especial: se dediquem para promover saúde. É um problema público, profundo e volto a dizer, estamos perdendo a oportunidade de engrandecer nossa profissão.

 

Hipertensão Arterial – Tratamento pelo Exercício Físico

Hipertensão Arterial – Tratamento pelo Exercício Físico

Hipertensão arterial exige tratamento contínuo e a inclusão do exercício físico planejado na rotina do paciente.

Hipertensão apresenta mais de 2 milhões de novos casos por ano no Brasil, sendo grande responsável pelo alto número de morbidade e mortalidade cardiovascular. Entre as consequências mais graves estão o infarto agudo do miocárdio e outras patologias isquêmicas do coração.

Antes de começar a demonstrar como o exercício atua como agente hipotensivo, preciso dizer que se você é hipertenso e ainda não esta inserido em nenhum tipo de treinamento físico, consulte um médico de extrema confiança e faça seus exames, principalmente exames que chequem o comportamento da pressão arterial em esforço. E por favor, não caia na besteira de apenas caminhar…veremos que, com critérios estabelecidos pelo bacharel em educação física, o exercício de alta intensidade pode gerar com segurança os maiores efeitos hipotensivos, tanto no treinamento agudo como principalmente crônico.

E, também devo alertar que o tratamento da hipertensão é multifatorial, ou seja, se faz necessária a mudança para um estilo de vida mais inteligente, com escolhas certas e muita coragem para os necessários “NÃOS” a serem ditos.

Leia aqui: Como o exercício físico pode alterar o estado de Diabetes. 🐝

COMO É DEFINIDA A PRESSÃO ARTERIAL

O coração é muito acometido pela hipertensão. Mas a culpa não é dele. Na verdade, em um indivíduo com hipertensão, muitos fatores fisiológicos, neurais e hemodinâmicos fazem com que o coração trabalhe em limites extremamente fatigantes.

Para entender o mecanismo que gera hipertensão, é preciso saber como a Pressão Arterial é definida e seus dois principais marcadores.

Um deles é a PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA (PAS). Níveis pressóricos tidos como normais e aceitáveis em repouso demonstram uma pressão menor que 120 até 139mmHg (milímetros de Mercúrio) . Esse número é a estimativa indireta obtida normalmente por um esfigmomanômetro aneroide, demonstrando numericamente a pressão exercida pela saída do fluxo sanguíneo, vindo do ventrículo esquerdo do coração, diretamente nas paredes arteriais. Essa saída de fluxo é denominada SÍSTOLE VENTRICULAR, daí o nome PRESSÃO SISTÓLICA.

O coração em si é uma bomba, que envia e recebe um fluxo continuamente. Ao evento chamado sístole, onde o fluxo sai do coração através da contração do músculo cardíaco para irrigar os vasos dos tecidos e fazer os demais papéis fisiológicos que lhe compete, é esperado também que haja um período de relaxamento pós-contração. Esse período de relaxamento é chamado DIÁSTOLE, e daí a nomenclatura PRESSÃO DIASTÓLICA. Em repouso, uma pressão diastólica entre números menores que 80 até 89mmHg são aceitos como normais no meio clínico. Veja o vídeo esse ciclo incrível do músculo cardíaco:

 

VOCÊ É HIPERTENSO?

Veja na tabela abaixo o que a Sociedade Brasileira de Hipertensão considera como parâmetros para hipertensão:

hipertensão Exercício

Adaptado da obra “Cardiologia do exercício – Do atleta ao cardiopata” 3º Ed.

Observe os tópicos “Limítrofe” e “Estágio 1”. Esses casos são os mais prevalentes no Brasil, mas também são os que mais são suscetíveis à adaptações seguras perante o treinamento físico.

 

[INFOGRÁFICO] CONSEQUÊNCIAS DA HIPERTENSÃO NO BRASIL

Os números a seguir relatam um problema enorme de saúde pública e cada vez mais crescente no nosso país. Os custos para o tratamento da hipertensão são assustadores. Suas consequências ainda mais.

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EVENTOS REGULADORES DA PRESSÃO ARTERIAL

MECANISMO RENINA-ANGIOTENSINA

Esse mecanismo é responsável pelo aumento dos fluidos corporais, comumente chamado de RETENÇÃO HÍDRICA.  E ele ocorre da seguinte forma:

– O fluxo sanguíneo renal se encontra diminuído, o que acarreta em liberação da enzima RENINA pelo referido órgão;
– Estando a RENINA liberada pelos rins, ela rapidamente estimula a formação de ANGIOTENSINA I,  que por sua vez se converte em ANGIOTENSINA II;
– A ANGIOTENSINA II  produz a constrição dos vasos sanguíneos arteriais e estimula a secreção do hormônio ALDOSTERONA pelo córtex da supra-renal, causando a retenção de sódio e sais pelos rins.

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Portanto, o acúmulo de fluidos dentro do sistema obviamente aumenta sua pressão.

 

MECANISMO NEURO-HORMONAL DA PRESSÃO ARTERIAL

Outros eventos fisiológicos são determinantes para a pressão arterial. Nosso corpo tem uma regulação perfeita e cheia de detalhes. Se o mecanismo RENINA-ANGIOTENSINA tem característica hormonal, citamos aqui o sistema nervoso central (SNC) como controlador adjunto da pressão arterial, controlando diretamente o ritmo cardíaco.

O sistema nervoso simpático (SNS) é responsável por acelerar o ritmo cardíaco, influindo diretamente na pressão arterial. Isso acontece devido à ação das chamadas CATECOLAMINAS, especialmente a ADRENALINA e a NORADRENALINA. Esses hormônios neurais atuam acelerando a despolarização do nódulo sino-atrial. Em termos mais simples, ambos hormônios atuam para dar um ritmo mais acelerado (efeito cronotrópico) e forte (efeito inotrópico) do músculo cardíaco, em uma magnitude quase duplicada quando comparada à não-ação desses hormônios.

O sistema nervoso parassimpático atua contrarregulando o ritmo cardíaco através da Acetilcolina, tendo como ação a diminuição do tônus vagal, um efeito denominado BRADICARDIA.

Leia também: Como o treinamento de força é o principal dentro de um programa sustentado de emagrecimento.

 

MODULAÇÃO HIPOTENSIVA DO EXERCÍCIO

Já está bem estabelecido que o exercício exerce diversas alterações fisiológicas, seja em uma única sessão (efeito agudo) ou durante a adesão de várias semanas de modo periodizado e planejado (efeito crônico). Se sabe com certeza absoluta que o exercício exerce efeito hipotensivo, proporcionando uma vida menos dependente de remédios em alguns casos. No entanto, muitos desses efeitos ainda não estão bem elucidados na literatura. A seguir, listo alguns dos mais importantes que se tem pleno conhecimento.

Com relação a hipertensão, os principais benefícios são:

SECREÇÃO DE BRADICININA E ÓXIDO NÍTRICO

Ambos tem síntese e atividade aumentada durante o exercício, tanto aeróbio como anaeróbio, como apontado pela pesquisa de Moraes e colaboradores, da Universidade Federal de São Paulo.
O principal efeito tanto da BRADICININA quanto do ÓXIDO NÍTRICO é provocar vasodilatação, resultando em menor pressão arterial pós-exercício, sendo essa queda observada por até 48 horas.

ANGIOGÊNESE

Em suma, a Angiogênese é formação de novos vasos, novos capilares. O Óxido Nítrico também participa ativamente no processo, assim como um estado temporário de hipóxia, ou seja, a ausência de O² nos tecidos. A essa ausência temporária, resultado de uma demanda aumentada de O² para o músculo esquelético em exercício, a resposta fisiológica é a ativação do *Fator de Transcrição Induzível por Hipóxia* (HIF) que por sua vez induz o aumento do *Fator de Crescimento Endotelial Vascular* (VEGF). Um artigo que relata esse mecanismo de modo mais efetivo pode ser lido aqui.

DIMINUIÇÃO DA ATIVIDADE NERVOSA SIMPÁTICA

Como dito, o sistema nervoso simpático tem ação decisiva na pressão arterial, sendo responsável direto em estado de hipertensão. Esse artigo atribui, segundo suas pesquisas, que a diminuição da atividade nervosa simpática tende a se estender por um prolongado período de tempo, por conta de menor sensibilidade dos receptores Beta-adrenérgicos, resposta tal gerada pelo exercício físico.

MENOR ATIVAÇÃO DO SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA

Em um estudo clássico de Felix e Michellini, foi demonstrado que 3 meses de exercício é capaz de normalizar os níveis do RNA mensageiro do Angiotensinogênio, resultando em menor ativação do sistema Renina-Angiotensina, que por sua vez diminuiria a atividade nervosa simpática, gerando um efeito hipotensivo pelo mecanismo já citado.

 

CRITÉRIOS PARA ELEGER O TREINAMENTO IDEAL

Consulte sempre um Bacharel em Educação Física para que, em posse dos exames prévios e de um acompanhamento diário do comportamento da pressão arterial tanto em repouso como em exercício, ele possa entender cada caso como único e direcionar o volume e intensidade de exercício necessários para o momento. Naturalmente, se todas as variáveis forem consideradas, se torna até mesmo possível que o consumo de diuréticos e beta-bloqueadores seja reduzido ou até mesmo cortados do tratamento.

Mas atenção! Essa condição é extremamente clínica, sendo ela de prerrogativa totalmente médica. Assim como a automedicação é perigosa, a interrupção medicamentosa por critérios subjetivos também o é. Seja prudente.

O exercício possibilitou isso a você? Me conte nos comentários abaixo. 

Grande abraço!

– Prof. Mauro Ramos