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Podcast #22 – Efeitos do treinamento físico na hipertensão

HIPERTENSAO_INVICTUS

Hey 🙂
Chegando para mais um episódio , o de número 22 da nossa série. Hoje debatemos os mecanismos pelo qual o exercício tende a exercer efeito hipotensor a curto, médio e longo prazo.

Questão de saúde pública.

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Osteoporose: Treinamento de Força é o melhor caminho

A osteoporose acomete na sua grande maioria mulheres. Estima-se que de cada quatro casos, três tenham “elas” como vítimas. Assim como a hipertensão e o diabetes, também é silenciosa, progredindo pouco a pouco e perigosamente, elevando os riscos de fraturas nas mais simples quedas ou choques.

COMO A OSTEOPOROSE SE DESENVOLVE?

Durante nossa vida, e principalmente após  puberdade, o osso sofre o que chamamos de remodelação óssea. Isso significa que de tempos em tempos as células do tecido ósseo se renovam.

Essa remodelação óssea é controlada por um grupo de células denominadas Osteoblastos e Osteoclastos. Ainda que pareçam complicados em um primeiro momento, o nome e ação de cada uma delas é entendida quando levada ao pé da letra no idioma grego, onde Blast significa germinar e Clast quebrar. Portanto, a função dos osteoblastos é gerar novas células ósseas, enquanto os osteoclastos literalmente quebram as células já existentes para que haja possibilidade de remodelação, em um ciclo vitalício.

Essa façanha genial do corpo (mais uma!) sofre influência de muitos fatores, entre os quais hormonais (paratormônio e calcitonina) , nutricionais (ingestão de cálcio e vitamina D), ambientais (síntese endógena de vitamina D via luz solar) e claro, do estresse mecânico, carinhosamente chamado de exercício físico, especialmente o treinamento de força. Isso mesmo! Ao contrário do que muitos médicos dizem, treinamento de força bem planejado é infinitamente melhor para a saúde óssea do que meras caminhadas e sessões de hidroginástica.

 

Osteoporose, Osteopenia e Densidade Mineral Óssea

Fica claro então o porque do surgimento da osteoporose. Um balanço adequado entre a ação de osteoblastos e osteoclastos determina a densidade mineral óssea (DMO), que por sua vez tende a decair em períodos específicos da vida,dando origem  a um quadro diagnosticado como osteopenia. A osteopenia em estágio avançado e sem os tratamentos adequados leva ao quadro de osteoporose. 

 

1 a cada 4 mulheres após os 40 anos desenvolve o quadro de osteopenia

As fraturas mais comuns são as de fêmur, vértebras, punhos e ombros.

Abaixo vou falar de modo simples e objetivo sobre cada fator:

OSTEOPOROSE E HORMÔNIOS

Hormônios também interferem no metabolismo ósseo, entre eles GH, glicocorticóides, hormônios tireoidianos e sexuais. Entretanto, vou me ater aqui aos principais deles, mais latentes e responsivos diretamente no processo degradação/neoformação do tecido ósseo.

Entre os hormônios secretados pela glândula tireoide esta a calcitonina. Ela tem uma função bem definida, inibir a atividade dos osteoclastos e fixar o cálcio e fosfato no tecido ósseo. Essa somatória de fatores diminui a probabilidade de osteopenia e por sua vez da osteoporose.

Um hormônio que age de forma antagônica à calcitonina é o paratormônio. Ele também atua regulando os níveis de cálcio no sangue, aumentando a concentração sérica de cálcio. Sua importância é ainda maior se considerarmos que ele atua como grande agente estimulador de calcitriol pelos rins, a forma ativa da vitamina D.

Portanto, um funcionamento adequado desses hormônios regula de maneira ativa o balanço da atividade de osteoclastos e osteoblastos.

OSTEOPOROSE, MENOPAUSA E ESTROGÊNIO 

Quando a mulher atinge o período da menopausa, os níveis de estrogênio caem assustadoramente. Isso ocorre em sua maioria em idades entre 45 e 55 anos. O estrogênio é um reconhecido protetor do osso, inibindo a atividade osteoclástica. Uma vez que sua atividade diminui, a probabilidade do surgimento do quadro de osteopenia de acentua muito. E caso não haja uma intervenção, seja ela em relação á reposição hormonal ou à inclusão do exercício em si, o progresso rumo a osteoporose fica ainda mais provável.

Daí a explicação: por que as mulheres tem maior incidência de casos de osteopenia e osteoporose?

 

TREINAMENTO DE FORÇA SIM SENHORA!

Entre os tantos benefícios do treinamento de força está o auxílio no tratamento da osteoporose, retardando muito seus avanços às custas de complexos eventos fisiológicos, especialmente à resposta piezo-elétrica gerada pela sobrecarga exercida no tecido ósseo quando em  contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas).

 

 

Ou seja, ainda que possa parecer estranho em um primeiro momento sim, é necessário que haja certo estresse mecânico para essa resposta fisiológica seja positiva a ponto de retardar os avanços da osteopenia e da osteoporose.

Isso quer dizer que não será de tanta valia atividades como hidroginástica e natação, onde o tecido ósseo é pouco ativado por sobrecarga mecânica.

Pois é.

E claro, a interleucina-6, o fator do exercício como citado nesse artigo (um dos meus favoritos) tem grande modulação na ação da vitamina D, do controle de cálcio e por consequência na saúde do osso. E sim, a interleucina-6 é ativada através da contração muscular!

O exercício extrapola todas as expectativas. Pena que muitas vezes ele é “vendido” como algo trivial e dispensável.

Não é!

 

OSTEOPOROSE E EXERCÍCIO

Dentro da nossa experiência com esse público, considero seguir um protocolo que tem se mostrado infalível:

  • Análise do exames de densitometria óssea e verificação dos quadro da densidade mineral óssea, de preferência dos últimos 3 meses;
  • Avaliação funcional do movimento para checagem de possível superexposição articular em determinadas alavancas;
  • Início do programa específico de treinamento de força. Esse passo depende essencialmente dos dois que o precedem, para que a eleição dos padrões motores seja feita de maneira responsável e certeira, visando segurança e principalmente resultado.O simples fato de estar inserido em uma atividade física não quer dizer que esteja sendo gerado os efeitos fisiológicos necessários para a assimilação positiva do sistema orgânico em resposta à osteoporose. Consulte um profissional de educação física.

 

Saiba mais nesse link, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O papel da educação física na saúde pública muitas vezes passa despercebido. Somos agentes formadores da sociedade e ainda não consegui dimensionar o tamanho da nossa importância.

Enviem dúvidas! Vou gravar um Podcast respondendo seus questionamentos em relação à osteoporose e exercício.

Até!

Podcast#15 – Tecido adiposo, obesidade e leptina: a regulação da saciedade

Esse é o primeiro dos 3 episódios sobre o tecido adiposo.

O centro do assunto hoje é a leptina, uma adipocina secretada a partir do tecido adiposo, e que tem como função a regulação da saciedade.

Saiba porque ela é um problema de grande importância nos quadros de obesidade e qual é o papel do exercício nesse quadro.

Enjoy!

 

Podcast#14 – Ritmo circadiano e a tríade do treinamento

O QUE É A TRÍADE DO TREINAMENTO FÍSICO? IMAGINE UM TRIÂNGULO, E EM CADA VÉRTICE UMA VARIÁVEL. AÍ ESTÃO ELAS: EXERCÍCIO, REPOUSO E NUTRIÇÃO.

Como o nosso sistema orgânico responde a cada uma delas e por que em tempos de festas, como o carnaval, você tem a (real)  impressão de estar mais lento em seus treinos. Uma cadeia fisiológica de extrema complexidade é afetada por esses três vértices, alterando o que chamamos de ritmo circadiano.

Hormônios a flor da pele!

Entenda mais sobre você mesmo!

Enjoy!

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Interleucinas – Músculo como Órgão Endócrino e Imune

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INTERLEUCINA- MENSAGEIRO MEDIADO PELO EXERCÍCIO. Te parece um tema complicado? Nem tanto. Acompanhe agora como o exercício é de fato fabuloso.

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Se eu te perguntar assim: A prática de exercícios é saudável?

Sua resposta com certeza seria sim.

Mas, e se eu perguntar: É saudável porque? O que acontece com o corpo para que essa resposta seja afirmativa (e correta aliás).

Por que o exercício pode resultar em menor incidência de dores musculares e articulares? Por que ele é recomendado em casos de Alzheimer e Parkinson? Como ele pode atenuar alguns quadros deletérios de câncer?

Vamos entender!

Se eu te perguntasse agora! Cite 3 órgãos do corpo e seus funções! Eita, prova oral, na lata!

Fígado! Porque secreta as somatomedinas, auxiliando no crescimento de tecidos. Tá certo! 😁

Pâncreas! Porque secreta a insulina! Isso ajuda a modular o metabolismo da glicose, e portanto a estabilizar estado de diabetes. Perfeito! 🤗

Tireóide! Porque secreta hormônios que orquestram o metabolismo como um todo! Tirou 10 😂

E se eu te disser que existe um órgão que secreta um sinalizador que faz tudo isso ao mesmo tempo?

Esse órgão é o músculo!

Sim, o músculo esquelético, esse que você usa para se locomover. Mas tem uma condição. Para que esse sinalizadores entrem na corrente sanguínea e cheguem a seus destinos específicos, eles precisam ser contraídos de modo e frequência correta. Olha o exercício aí!

Primeiro, tenho que explicar que durante muito tempo o músculo esquelético foi considerado “apenas” uma estrutura do sistema locomotor. E também durante muito tempo nos preocupamos em saber mais sobre os músculos estudando os ossos (!!!), ao buscarmos suas origens e inserções, limitando suas ações a eventos mecânicos e cinesiológicos.

Entretanto, com o avanço nos estudos da fisiologia do exercício, foi possível perceber que o músculo esquelético é capaz de mediar inúmeras respostas positivas ao corpo perante as contrações musculares.

O músculo é considerado glândula endócrina porque secreta sinalizadores denominados citocinas que atuarão em si mesmo e em outros tecidos do corpo. No entanto, assim como as citocinas secretadas pelo tecido adiposo são denominadas adipocinas, tão logo as citocinas secretadas pelos músculos são as miocinas.

 

MIOCINAS – OS MENSAGEIROS DA CONTRAÇÃO MUSCULAR

O ciclo que chamamos de contração muscular (ciclo alongamento-encurtamento) acontece como na figura abaixo. A medida que as fibras deslizam entre si, as sinalizações químicas e metabólicas no meio intracelular passam a acontecer em velocidade e intensidade muito aumentadas. Assim, as miocinas passam a exercer seus papéis, de acordo com a intensidade do exercício. Por essas e outras somos apaixonados😍 pelo treinamento de força.

Nota: Quanto maior o grupamento muscular envolvido em determinado exercício, maior a resposta fisiológica. Penso muito na utilização do bíceps por exemplo nos exercícios de padrão motor puxar como a barra fixa ou o chin-up. A eficiência fisiológica justifica escolher um deles em detrimento a um exercício isolado como a rosca direta por exemplo.

Saiba como elevar suas cargas nos principais levantamentos em 8 semanas 👉/força

E afinal, quais são essas miocinas? E onde e como atuam.

Se surpreenda, e fique aliviado. Você possui nada menos que uma usina geradora de saúde.

 

INTERLEUCINAS: SINALIZADORES FISIOLÓGICOS DE PRIMEIRA LINHA

Dentro das miocinas estão as INTERLEUCINAS. Essas especificamente serão abordadas com muito afinco nas próximas linhas desse post, já que a contração muscular é um dos primeiros passos para sua secreção.

Na verdade, a produção das interleucinas é mediada por dois tipos de células do sistema imune, os macrófagos e os linfócitos, em resposta à lesões ou infecções. Em decorrência da intensidade e volume das contrações musculares (em especial as excêntricas), essas células entram em ação como primeira linha de defesa do corpo, resultando na secreção de interleucinas.

Outros fatores são determinantes para a secreção de citocinas, como o estresse oxidativo (produção de espécies reativas de oxigênio, conhecidas como Radicais Livres), e estresse hormonal (alterações agudas e/ou crônicas do sistema endócrino perante o treinamento). Ambas são altamente dependentes do exercício físico.

Veja abaixo como o músculo modula as respostas endócrinas e imunes para cada tipo de interleucina.

INTERLEUCINA-1 [IL-1] – RESPOSTAS AO EXERCÍCIO

A interleucina-1 possui dois sub-tipos: a interleucina-1 alfa (IL-1α)  e interleucina-1 beta (IL-1β), porém, ambas são praticamente indistinguíveis perante suas ações.

Como resposta ao exercício, seja ele de endurance (corridas ou bike por longo período de tempo) ou de força 😍, a secreção de interleucina-1 (IL-1) se torna aumentada.

Suas principais ações são:

  • Aumento da temperatura corpórea*;
  • Aumento da resposta dos hormônios corticosteroides, principalmente o cortisol
  • Aumento da vasodilatação
  • Aumento da hipotensão

*Em estados de treinamento exacerbados, com grandes intensidades e volumes sem medida, é comum observar como resposta períodos de febre e de maior suscetibilidade à infecções de garganta e a resfriados, muito em função do aumento da resposta dessa interleucina, que por sua vez gera uma resposta em cascata de outras interleucinas.

Nada em excesso é bom. Nem o exercício.

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INTERLEUCINA-6 [IL-6] – RESPOSTAS AO EXERCÍCIO

A atuação da interleucina-6 (IL-6) decorrente do exercício é imensamente superior a qualquer outra interleucina já observada em estudos. Tal fato a deixa conhecida no meio acadêmico e científico como “fator do exercício“.

A interleucina-6 é notoriamente secretada por macrófagos e linfócitos perante ás lesões musculares causadas pelo exercício. A linha de defesa do corpo esta permanentemente vigilante para que caso ocorra algum evento agressor ao nosso sistema, a resposta anti-inflamatória seja rápida e eficaz.

No entanto, a secreção de interleucina-6 é observada como produto do próprio músculo, sendo muito comentada e enaltecida na fisiologia do exercício como o big-boss do sistema imune dentro do treinamento. (termo usado pelo mestre Waldecir de Paula Lima, meu professor da faculdade, que desde sempre fez questão de apresentar o exercício como saúde. Minha gratidão).

Volto a dizer: quanto maior o grupamento muscular envolvido, tão maior será a resposta fisiológica, e dentro do contexto que estamos falando, maior a secreção de interleucina-6.

E é por isso que sou apaixonado pelos efeitos gerados por boas periodizações de agachamentos, dedlift’s e exercícios de potência muscular. #ficaadica

Suas ações envolvem efeitos imunes, metabólicos e endócrinos:

  • Resposta anti-inflamatória sistêmica ( atingem o corpo todo)
  • Modulam captação de glicose (ótima notícia aos diabéticos 🐝)
  • Modulam a oxidação de ácidos graxos (ótima notícia para a galera do colesterol alto )
  • Promovem gliconeogênese (formação de glicose hepática decorrentes de outros substratos)
  • Promovem lipólise (“Quebra” do tecido adiposo para sua utilização no exercício) Cê é loco 😱

 

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INTERLEUCINA-8 [IL-8] – RESPOSTA AO EXERCÍCIO

Na mesma linha de atuação se encontra a interleucina-8. Ainda que não tão abundante e responsiva quanto a interleucina-6, ela atua como um agente fundamental no efeito hipotensor do exercício por promover o que chamamos de angiogênese, ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos. Isso é absolutamente espetacular, visto que esta condição atenua os efeitos da hipertensão arterial, sendo portanto um fator fundamental na prevenção e no tratamento dessa silenciosa e assustadora condição.

Aliás, estamos perdendo e feio para a hipertensão. Além dos efeitos deletérios à saúde e suas complicações como AVC’s e infartos, o impacto econômico é gigantesco para seu tratamento. O exercício pode atenuar essas condições, basta duas coisas: conhecimento técnico do profissional de educação física na prescrição adequada e vontade por parte do enfermo. Simples assim.

 

INTERLEUCINA -15 [IL-15] – RESPOSTA AO EXERCÍCIO

A interleucina-15 modula ativamente a síntese proteica no próprio músculo. Isso quer dizer que essa citocina participa para os processos anabólicos pós-exercício. O crescimento muscular, muito além do fins estéticos, faz com que todas as respostas que vimos anteriormente sejam ainda mais acentuadas.

Isso não quer dizer que tenhamos que formar brutamontes nas academias (até porque o crescimento muscular que observo por aí é fundamentalmente farmacêutico, e eu não sou farmacêutico), mas que ao promover uma massa muscular responsiva e permanente, todos, inclusive idosos se beneficiam de seus anti-inflamatórios naturais. O exercício é para todos ou não?

 

INTERLEUCINA: FUNDAMENTAL EM ESTADOS DE CÂNCER

Sim, essa é outra doença cada vez mais voraz e comum, infelizmente. Nos últimos anos muitas estratégias clínicas vem sendo estudadas e aplicadas para atenuar os efeitos do câncer e devolver ao paciente um estado de qualidade de vida suficientemente aceitável.

Um estado muito comum em pacientes nesse estado é a caquexia, que se caracteriza por uma perda acentuada e progressiva do tecido muscular, levando a uma perda de peso repentina e desmedida.

Como visto acima, as interleucinas tem papéis endócrinos e imunes, sendo mediadas pela intensidade e volume do exercício.

Isso envolve diretamente estratégias para com o sistema imunológico. Esse artigo de pesquisadores americanos da Carolina do Sul aponta os promissores resultados de tratamentos de pessoas com câncer através da interleucina-6.

Esse pessoal do American Journal Physiology também aborda a interleucina-6 em eventos simultâneos com outros agentes sinalizadores, como a mTOR, o IGF-I e o AMP-K, reduzindo drasticamente a perda de massa muscular, evidente na caquexia.

MINHA EXPERIÊNCIA COM ESSE PÚBLICO

Tenho visto um aumento gradual desse público nas academias. Ainda que o quadro clínico não seja o desejado, a maneira com que se olha para o exercício me deixa animado.

Entre os anos de 2015 e 2017 pude atender nada menos que 7 pessoas em condições assim, com idades entre 25 e 45 anos. As que descobriram o tumor já tendo em sua rotina o treinamento físico tiveram efeitos menos agressivos (subjeção de cada paciente e minha percepção como treinador) decorrentes dos processos de quimioterapia e radioterapia. Os mais comuns são relatos de náuseas, dores absurdas pelo corpo e profundas dores de cabeça.

E sim. O exercício participa como agente fundamental para atenuar os efeitos do câncer, sobretudo na caquexia e nesses efeitos indesejados de quimio e radioterapia.

Não se trata do famigerado 3 de 10. Se trata de modular adequadamente volume versus intensidade, e saber quais respostas são esperadas. Não alugo máquinas, ofereço treinamento.

Tenho certeza que o papel fundamental das interleucinas se mostra como uma das vertentes mais promissoras para quem trabalha com treinamento físico. E isso pode ser observado na rotina dos pacientes em questão.

Posso garantir que são de fato exemplos de vida e verdadeiros guerreiros, sobretudo na esperança de cada um.

PS. Graças a Deus todos continuam entre nós.

INTERLEUCINA – O HEROI POUCO ABORDADO NO TREINAMENTO FÍSICO

Espero ter tido sucesso nessa tarefa extremamente complicada de abordar tanta bioquímica, tantos nomes complicados,enfim…

Na minha visão é mais que necessário que informações como essas cheguem ao público para colocar o exercício e o treinamento de fato em seu devido lugar: base fundamental da vida.

Aos profissionais que estão lendo esse artigo, meu pedido especial: se dediquem para promover saúde. É um problema público, profundo e volto a dizer, estamos perdendo a oportunidade de engrandecer nossa profissão.

 

APARTHEID “FITNESS”: o exercício ainda vive os anos 80?

APARTHEID “FITNESS”: o exercício ainda vive os anos 80?

Porque termos como “exercícios para perder barriga rapidamente” ou “exercícios para hipertrofia pernas e glúteos” reduz drasticamente a importância do exercício físico

Atenção! Vivemos sim uma segregação fitness!

Você com certeza já ouviu algumas ou todas as afirmações abaixo:

“ATÉ TENTO TREINAR, MAS NÃO GOSTO DAQUELES APARELHOS”

“O AMBIENTE NÃO É PRA MIM”

“O QUE UMA PESSOA DE 60 ANOS VAI FAZER NO MEIO DE JOVENS SEDENTOS POR MÚSCULOS?”

“FUI, NÃO GOSTEI, E NÃO VOLTO MAIS”

“SE FOR PRA ME COLOCAR 40 MINUTOS NA ESTEIRA PREFIRO ANDAR NA RUA”

Foram apenas 5 afirmações que percebo no dia-a-dia. Qualquer semelhança…

A pergunta que fica é:

“O EXERCÍCIO É MESMO PARA TODOS, OU EXISTE CERTA SEGREGAÇÃO?”

Sim, é para soar provocativo mesmo.

E se você que esta lendo é estudante ou profissional da área, se sinta mais provocado ainda.

ANOS 80: TV MANCHETE, XUXA, SARRIÁ, DIRETAS JÁ E…ACADEMIAS?

O início dos anos 80 foi marcante para muitas pessoas. A extinta TV Manchete bombava mais que a Globo, a Xuxa começava seu “reinado”, o movimento de Diretas ganhava força descomunal e a maior seleção de futebol já vista nesse país perdeu a Copa mais previsível da história no estádio Sarriá.  Momentos de fato marcantes.

Nesse meio, nosso mercado de academias começava a se expandir por aqui. Uma ou outra pessoa buscava nas salas de musculação as “endorfinas” prometidas por propagandas estrangeiras, que não cansavam de enaltecer os feitos de um moço austríaco, por ocasião morando nos EUA, obstinado e de nome estranho…Arnold Schwarzenegger, vencedor de nada menos que 7 edições do Mr. Olímpia, famoso concurso de fisiculturismo.

Invictus

Ícone até hoje nas academias

Veja. Estamos falando da primeira metade da década de 80.

Que fique claro desde já. Entre primeira metade da década 80, até a metade dos anos 90, não havia uma profissão específica que tivesse como prerrogativa a análise, a aplicação e as soluções para cada pessoa através do exercício físico no Brasil. Isso só veio acontecer com a promulgação da Lei Federal 9.696 de 1 de setembro de 1998, como citado aqui.

Você acha que a mídia tem força?

No início dos anos 90, um personagem chamado “Paulo Cintura” começa a dar as caras em um programa de audiência fenomenal na Rede Globo.

Invictus

Personagem do início dos anos 90, “Paulo Cintura” e seu famoso bordão.

A Escolinha do professor Raimundo, do genial Chico Anysio, também marcou gerações, e teve grande contribuição para o “estereótipos dos frequentadores de academias” que nos acostumamos a ver: “Corpo malhado, regatinha da irmã e um ar de diversão o tempo inteiro”. O bordão “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa“#IIIISSAAAA , é verdadeiro, mas o produto foi mal vendido. Ou não. Aliás, foi bem vendido, mas para um público-alvo específico, quando deveria ser vendido para todos.

Antes mesmo da promulgação da Lei que regulamentou nossa profissão, a mesma Rede Globo, nada boba, lança o seriado de nome sugestivo e com histórias de jovens descolados e meninas com calças “coladas”, onde a paquera era o maior atrativo. O seriado segue vivo até hoje, com enfoque totalmente diferente. O motivo da permanência do nome depois de mais de 20 anos é obvio: o sucesso foi tremendo.

O culto ao corpo passou a ser obsessivo. O mercado de suplementos alimentares, focados em atletas, viu nessa onda “fitness” o nicho mais lucrativo de seu segmento…os frequentadores de academias.

Lembre-se sempre do estereótipo.

Por que estou viajando lá atrás? Para que tudo faça sentido a partir de agora.

Nos acostumamos a enxergar o exercício físico como algo propício só para alguns. Nos venderam a ideia de que academias (aqui tomo o devido cuidado para NÃO generalizar, por que sei que nem todas são assim) são  ambientes de paquera, onde o maior objetivo é suar a qualquer custo, para demonstrar virilidade ou sensualidade. Poder e graça. E que por isso não cabe na concepção de uma pessoa “normal” frequentar tal ambiente por que não “se julga dessa ou daquela tribo”.

Faz sentido pra você?

 

É PARA TODOS OU NÃO?

É claro que sim!

Ninguém deveria hesitar em entrar em uma academia, seja quem for.

Os avanços do nosso conhecimento sobre os efeitos do exercício possibilitou uma gama absurdamente enorme de atuação, e também de responsabilidade quanto nossa área de atuação. Esses avanços vão de encontro às novas exigências do nosso mundo contemporâneo. E nesse sentido, o nosso foco passa a ser todos, sem exceção, como deveria ter sido desde lá atrás. Veja alguns:

Aqui

Aqui

Aqui

No entanto, mesmo com tantos estudos e bases sólidas sobre as maravilhas do exercício para toda a população em suas diversas necessidades, muitos profissionais da área (ou mesmo aventureiros “criminosos” disfarçados de bacharéis) encontram naquela década inspirações para suas maluquices perigosas e irresponsáveis. Ainda bem que naquele tempo não havia Facebook ou Instagram…

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Esse aí é figura carimbada nas “revoltas bem humoradas” do Prof. Paulo Gentil

Se você é profissional de educação física ou estudante da área, atenção.

Ou você sai dos anos 80, onde claramente muitos profissionais ainda estão, ou você fará sua profissão obsoleta em poucos anos.

Muitos reclamam da desvalorização da profissão. Acho o assunto bem relativo. Pessoas se desvalorizam. A profissão é digna e de importância crescente para os próximos 50 anos no mínimo.

Agora, se você que esta lendo e é da área, cuidado. Se seu propósito com o exercício é gerar dor muscular no dia seguinte, não perca seu tempo montando planilhas. Basta prescrever o famigerado 3 de 10 levantamentos de baldes de água, dos bem cheios. Ou, se o seu objetivo é deixar seu aluno suando em bicas, esperando que ele morra, não perca seu tempo montando e pensando soluções efetivas, inaugure uma sauna.

Faça jus. Você é profissional do exercício. Contexto, necessidade, periodização.

 

NÃO AO APARTHEID! SIM À REVOLUÇÃO!

 

É nosso papel dar caminhos coerentes para nossa profissão. Tenho muita gratidão e admiração por profissionais que levantam essa bandeira, em um momento cada vez mais complicado de nossa sociedade. Cito brevemente o professor Paulo Gentil, por sua sempre “bem humorada e justa revolta” e o professor Tiago Proença, que tanto se esforça em seus projetos à frente da BPro de Porto Alegre. Ambos tem, assim como eu, o desejo mais latente e nobre que um profissional de educação física deve ter: dignidade na defesa da profissão regulamentada em 1998.

Nossa importância se alastra para todos. Atendemos não a esteriótipos. Atendemos pessoas em suas necessidades e anseios. Digo aos meus clientes e alunos o seguinte:

SOMOS COMO MÉDICOS, MAS NÃO “ABRIMOS NINGUÉM”

E devemos evitar que abram.

Nossos conhecimentos devem ser adequados para atender a você que precisa do exercício para controlar a hipertensão, o diabetes, os efeitos deletérios do câncer e seus tratamentos, artrite, artrose, condromalácia patelar, bursites de quadril e ombros, colesterol alto, fibromialgia, hérnias de disco, etc. E devem sim ser atualizados com obsessão única.

Aliás, quem entende de movimento (biomecânica e cinesiologia) e suas respostas fisiológicas, em seus volumes e intensidades somos nós. Fica a dica.

Por isso tenho como missão particular zelar pela sociedade como um TODO, não somente a uma parcela. Exercício é para todos, academia deve ser ambiente de todos.

Vamos atender a todos em suas necessidades e anseios. Hipertrofia e emagrecimento são as pontas do iceberg. A sociedade precisa de nós urgentemente, ou não?

Cabe a esses gritos quebrar o paradigma da “regatinha da irmã” e colocar o exercício na primeira das prateleiras de prioridade das pessoas.

Isso vai engrandecer a todos. A nós e à população.