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Osteoporose: Treinamento de Força é o melhor caminho

A osteoporose acomete na sua grande maioria mulheres. Estima-se que de cada quatro casos, três tenham “elas” como vítimas. Assim como a hipertensão e o diabetes, também é silenciosa, progredindo pouco a pouco e perigosamente, elevando os riscos de fraturas nas mais simples quedas ou choques.

COMO A OSTEOPOROSE SE DESENVOLVE?

Durante nossa vida, e principalmente após  puberdade, o osso sofre o que chamamos de remodelação óssea. Isso significa que de tempos em tempos as células do tecido ósseo se renovam.

Essa remodelação óssea é controlada por um grupo de células denominadas Osteoblastos e Osteoclastos. Ainda que pareçam complicados em um primeiro momento, o nome e ação de cada uma delas é entendida quando levada ao pé da letra no idioma grego, onde Blast significa germinar e Clast quebrar. Portanto, a função dos osteoblastos é gerar novas células ósseas, enquanto os osteoclastos literalmente quebram as células já existentes para que haja possibilidade de remodelação, em um ciclo vitalício.

Essa façanha genial do corpo (mais uma!) sofre influência de muitos fatores, entre os quais hormonais (paratormônio e calcitonina) , nutricionais (ingestão de cálcio e vitamina D), ambientais (síntese endógena de vitamina D via luz solar) e claro, do estresse mecânico, carinhosamente chamado de exercício físico, especialmente o treinamento de força. Isso mesmo! Ao contrário do que muitos médicos dizem, treinamento de força bem planejado é infinitamente melhor para a saúde óssea do que meras caminhadas e sessões de hidroginástica.

 

Osteoporose, Osteopenia e Densidade Mineral Óssea

Fica claro então o porque do surgimento da osteoporose. Um balanço adequado entre a ação de osteoblastos e osteoclastos determina a densidade mineral óssea (DMO), que por sua vez tende a decair em períodos específicos da vida,dando origem  a um quadro diagnosticado como osteopenia. A osteopenia em estágio avançado e sem os tratamentos adequados leva ao quadro de osteoporose. 

 

1 a cada 4 mulheres após os 40 anos desenvolve o quadro de osteopenia

As fraturas mais comuns são as de fêmur, vértebras, punhos e ombros.

Abaixo vou falar de modo simples e objetivo sobre cada fator:

OSTEOPOROSE E HORMÔNIOS

Hormônios também interferem no metabolismo ósseo, entre eles GH, glicocorticóides, hormônios tireoidianos e sexuais. Entretanto, vou me ater aqui aos principais deles, mais latentes e responsivos diretamente no processo degradação/neoformação do tecido ósseo.

Entre os hormônios secretados pela glândula tireoide esta a calcitonina. Ela tem uma função bem definida, inibir a atividade dos osteoclastos e fixar o cálcio e fosfato no tecido ósseo. Essa somatória de fatores diminui a probabilidade de osteopenia e por sua vez da osteoporose.

Um hormônio que age de forma antagônica à calcitonina é o paratormônio. Ele também atua regulando os níveis de cálcio no sangue, aumentando a concentração sérica de cálcio. Sua importância é ainda maior se considerarmos que ele atua como grande agente estimulador de calcitriol pelos rins, a forma ativa da vitamina D.

Portanto, um funcionamento adequado desses hormônios regula de maneira ativa o balanço da atividade de osteoclastos e osteoblastos.

OSTEOPOROSE, MENOPAUSA E ESTROGÊNIO 

Quando a mulher atinge o período da menopausa, os níveis de estrogênio caem assustadoramente. Isso ocorre em sua maioria em idades entre 45 e 55 anos. O estrogênio é um reconhecido protetor do osso, inibindo a atividade osteoclástica. Uma vez que sua atividade diminui, a probabilidade do surgimento do quadro de osteopenia de acentua muito. E caso não haja uma intervenção, seja ela em relação á reposição hormonal ou à inclusão do exercício em si, o progresso rumo a osteoporose fica ainda mais provável.

Daí a explicação: por que as mulheres tem maior incidência de casos de osteopenia e osteoporose?

 

TREINAMENTO DE FORÇA SIM SENHORA!

Entre os tantos benefícios do treinamento de força está o auxílio no tratamento da osteoporose, retardando muito seus avanços às custas de complexos eventos fisiológicos, especialmente à resposta piezo-elétrica gerada pela sobrecarga exercida no tecido ósseo quando em  contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas).

 

 

Ou seja, ainda que possa parecer estranho em um primeiro momento sim, é necessário que haja certo estresse mecânico para essa resposta fisiológica seja positiva a ponto de retardar os avanços da osteopenia e da osteoporose.

Isso quer dizer que não será de tanta valia atividades como hidroginástica e natação, onde o tecido ósseo é pouco ativado por sobrecarga mecânica.

Pois é.

E claro, a interleucina-6, o fator do exercício como citado nesse artigo (um dos meus favoritos) tem grande modulação na ação da vitamina D, do controle de cálcio e por consequência na saúde do osso. E sim, a interleucina-6 é ativada através da contração muscular!

O exercício extrapola todas as expectativas. Pena que muitas vezes ele é “vendido” como algo trivial e dispensável.

Não é!

 

OSTEOPOROSE E EXERCÍCIO

Dentro da nossa experiência com esse público, considero seguir um protocolo que tem se mostrado infalível:

  • Análise do exames de densitometria óssea e verificação dos quadro da densidade mineral óssea, de preferência dos últimos 3 meses;
  • Avaliação funcional do movimento para checagem de possível superexposição articular em determinadas alavancas;
  • Início do programa específico de treinamento de força. Esse passo depende essencialmente dos dois que o precedem, para que a eleição dos padrões motores seja feita de maneira responsável e certeira, visando segurança e principalmente resultado.O simples fato de estar inserido em uma atividade física não quer dizer que esteja sendo gerado os efeitos fisiológicos necessários para a assimilação positiva do sistema orgânico em resposta à osteoporose. Consulte um profissional de educação física.

 

Saiba mais nesse link, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O papel da educação física na saúde pública muitas vezes passa despercebido. Somos agentes formadores da sociedade e ainda não consegui dimensionar o tamanho da nossa importância.

Enviem dúvidas! Vou gravar um Podcast respondendo seus questionamentos em relação à osteoporose e exercício.

Até!

Mauro Januário de Ramos

Profissional de Educação Física, é Personal Trainer, Coordenador técnico do Studio Invictus , especialista em treinamento funcional, periodização de força e estratégias de emagrecimento. É membro Expert do FMS (Functional Movement Screen -EUA) e focado em entregar resultados memoráveis. Trabalha com desempenho esportivo e saúde há 7 anos, desenvolvendo sistemas próprios de treinamento físico para cada cliente. Ao longo desses anos, juntou a experiência ao conhecimento técnico para oferecer as melhores e mais completas soluções onde o exercício físico esteja inserido.

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