Paixões: preparação física, futebol e organização de treinamento.

Veja que esse artigo também é um podcast! Não deixe de ouvir o áudio!

 

Pode parecer um ponto fora da curva nos nossos escritos por aqui. Como assim envolver o futebol no ambiente de academia? 

A verdade é que na minha visão, preparação física em si contém a mesma estrutura, seja para o alto rendimento, seja para o cidadão comum. Em ambos devem existir processos que contemplem as vertentes físicas e psicológicas em bases estruturadas e progressivas.

Aproveitando a ocasião da Copa do Mundo ⚽️ realizada na Rússia (ainda farei um mestrado por lá 🎯), decidi colocar como disponível para leitura minha pesquisa de tempos de FEFISA, que rendeu muita experiência e aguçou ainda mais minha vontade em trabalhar para o resto da vida com preparação física. Eis o título:

A PRÉ–TEMPORADA E A PREPARAÇÃO FÍSICA NO FUTEBOL: A INFLUÊNCIA DO CALENDÁRIO NO BRASIL E NA EUROPA

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Essa aventura começou em 2010, ainda no terceiro ano de faculdade em uma conversa bem informal com o mestre Nicolino Bello (gratidão total) sobre a disparidade abissal que vivemos em nosso futebol quando comparado ao futebol europeu. As diferenças residem em todos os aspectos, mas nos atentamos à nossa área em si, sobre em como a preparação dos atletas para um ano inteiro de competições, que podem somar até 80 jogos (quase 1 jogo a cada 4 dias, com distância média percorrida de 12km a 55% do VO²pico) é feita em míseros 12 dias. Esses dados são de 2011/2012. Hoje a realidade mudou um pouco, 15 dias. Sim, estamos longe do ideal.

 

“É inadmissível fazer 12 dias de pré-temporada depois de um mês de férias e iniciar uma competição. Tem de dar um mês de trabalho (sic).”

Abel Braga, técnico

Se nós da área acadêmica já julgávamos o tempo de preparação física curto, imagina quem trabalha e é cobrado insistentemente por imprensa e torcida em relação à rendimento e alta performance desde o primeiro minuto em campo. Além de mover paixões, o futebol é um mercado milionário que envolve cifras inimagináveis para a realidade do brasileiro.

Somado a isso, a falta de tempo para um trabalho bem executado resulta sempre em lesões que podem deixar de fora um atleta que custa R$300,000,00 na folha salarial do clube, gerando um déficit absurdo ao clube.

Imagine a pressão em cima da equipe de fisiologia e preparação física.

Coube a mim discorrer sobre esses fatos, colocando um paralelo com os clubes europeus, tão acima da realidade. Durante a jornada de pesquisa, pude conhecer profissionais exemplares, em uma caminhada que nem imaginava trilhar: entrevistei profissionais altamente gabaritados como Antonio Carlos Gomes  (superintendente do Comitê Olímpico Brasileiro – COB), Altamiro Bottino (fisiologista dos mais incríveis que conheço), Élio Carraveta (simples e genial em encontrar soluções e propor metodologias de trabalho altamente eficientes), entre os outros 11 profissionais que há época eram fisiologistas ou preparadores físicos de clubes da série A do futebol brasileiro.

 

QUANDO ENTREVISTEI PROFISSIONAIS DO REAL MADRID, SEVILLA, VILLARREAL, BARCELONA E VALENCIA

A pesquisa ganhou ainda mais relevância quando de modo quase inimaginável conseguimos entrevistar os profissionais dos clubes espanhóis mencionados acima. Pra mim, é como se em cada resposta eu estivesse dentro do Santiago Bernabeu ou do Camp Nou. A partir disso conseguimos desenvolver uma pesquisa que nos possibilitou dois convites para congressos, em 2011 e 2012. Experiências de valor inestimável.

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Técnico de futebol Jorginho, no saguão do hotel em Porto Alegre
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Kléberson, pentacampeão com a seleção em 2012, comigo no Congresso Internacional de Futebol

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CONSTATAÇÃO FINAL: FORÇA REALMENTE É MÃE DE TODAS AS CAPACIDADES FÍSICAS

É algo que trago até hoje comigo e que se tornou na minha base metodológica aplicada na Invictus uma verdade irrefutável: desenvolva força e conquiste resultados incríveis.

Absolutamente todos os preparadores físicos consideram essa a mais importante capacidade física a ser desenvolvida no período de pré-temporada, cientes de que assim sendo, as demais valências virão como consequência desse trabalho. É o que fazemos por aqui também, claro que dentro da realidade de um cidadão comum.

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Para quem trabalha com preparação física, seja personal trainer ou não, vale muito a leitura, e comprovadamente o paralelo funciona. Desenvolva seus clientes e alunos como atletas de fato, e faça com que eles colham sucesso para que você possa fazer o mesmo.

Viva o futebol!