#CARÁTER #PERSISTÊNCIA#DISCIPLINA#HUMILDADE

Podcast#14 – Ritmo circadiano e a tríade do treinamento

O QUE É A TRÍADE DO TREINAMENTO FÍSICO? IMAGINE UM TRIÂNGULO, E EM CADA VÉRTICE UMA VARIÁVEL. AÍ ESTÃO ELAS: EXERCÍCIO, REPOUSO E NUTRIÇÃO.

Como o nosso sistema orgânico responde a cada uma delas e por que em tempos de festas, como o carnaval, você tem a (real)  impressão de estar mais lento em seus treinos. Uma cadeia fisiológica de extrema complexidade é afetada por esses três vértices, alterando o que chamamos de ritmo circadiano.

Hormônios a flor da pele!

Entenda mais sobre você mesmo!

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Podcast#7. Jejum Intermitente e Hipertrofia

Esse episódio vai dar o que falar. Mas sempre buscando disseminar o conhecimento, com responsabilidade e ética.

A nutricionista Sthefayie Legori (www.clinicalegori.com.br) aborda o tema jejum intermitente, esclarecendo muito sobre esse tema cheio de mitos e senso comum. Imperdível.

Falo ainda sobre a necessidade de se respeitar a profissão de cada um, deixando de lado os “achismos” comuns nos dias atuais e também sobre hipertrofia e estratégias adequadas para esse fim.

Um abraço ao nosso ouvinte André Itami!

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Hipertensão Arterial – Tratamento pelo Exercício Físico

Hipertensão Arterial – Tratamento pelo Exercício Físico

Hipertensão arterial exige tratamento contínuo e a inclusão do exercício físico planejado na rotina do paciente.

Hipertensão apresenta mais de 2 milhões de novos casos por ano no Brasil, sendo grande responsável pelo alto número de morbidade e mortalidade cardiovascular. Entre as consequências mais graves estão o infarto agudo do miocárdio e outras patologias isquêmicas do coração.

Antes de começar a demonstrar como o exercício atua como agente hipotensivo, preciso dizer que se você é hipertenso e ainda não esta inserido em nenhum tipo de treinamento físico, consulte um médico de extrema confiança e faça seus exames, principalmente exames que chequem o comportamento da pressão arterial em esforço. E por favor, não caia na besteira de apenas caminhar…veremos que, com critérios estabelecidos pelo bacharel em educação física, o exercício de alta intensidade pode gerar com segurança os maiores efeitos hipotensivos, tanto no treinamento agudo como principalmente crônico.

E, também devo alertar que o tratamento da hipertensão é multifatorial, ou seja, se faz necessária a mudança para um estilo de vida mais inteligente, com escolhas certas e muita coragem para os necessários “NÃOS” a serem ditos.

Leia aqui: Como o exercício físico pode alterar o estado de Diabetes. 🐝

COMO É DEFINIDA A PRESSÃO ARTERIAL

O coração é muito acometido pela hipertensão. Mas a culpa não é dele. Na verdade, em um indivíduo com hipertensão, muitos fatores fisiológicos, neurais e hemodinâmicos fazem com que o coração trabalhe em limites extremamente fatigantes.

Para entender o mecanismo que gera hipertensão, é preciso saber como a Pressão Arterial é definida e seus dois principais marcadores.

Um deles é a PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA (PAS). Níveis pressóricos tidos como normais e aceitáveis em repouso demonstram uma pressão menor que 120 até 139mmHg (milímetros de Mercúrio) . Esse número é a estimativa indireta obtida normalmente por um esfigmomanômetro aneroide, demonstrando numericamente a pressão exercida pela saída do fluxo sanguíneo, vindo do ventrículo esquerdo do coração, diretamente nas paredes arteriais. Essa saída de fluxo é denominada SÍSTOLE VENTRICULAR, daí o nome PRESSÃO SISTÓLICA.

O coração em si é uma bomba, que envia e recebe um fluxo continuamente. Ao evento chamado sístole, onde o fluxo sai do coração através da contração do músculo cardíaco para irrigar os vasos dos tecidos e fazer os demais papéis fisiológicos que lhe compete, é esperado também que haja um período de relaxamento pós-contração. Esse período de relaxamento é chamado DIÁSTOLE, e daí a nomenclatura PRESSÃO DIASTÓLICA. Em repouso, uma pressão diastólica entre números menores que 80 até 89mmHg são aceitos como normais no meio clínico. Veja o vídeo esse ciclo incrível do músculo cardíaco:

 

VOCÊ É HIPERTENSO?

Veja na tabela abaixo o que a Sociedade Brasileira de Hipertensão considera como parâmetros para hipertensão:

hipertensão Exercício

Adaptado da obra “Cardiologia do exercício – Do atleta ao cardiopata” 3º Ed.

Observe os tópicos “Limítrofe” e “Estágio 1”. Esses casos são os mais prevalentes no Brasil, mas também são os que mais são suscetíveis à adaptações seguras perante o treinamento físico.

 

[INFOGRÁFICO] CONSEQUÊNCIAS DA HIPERTENSÃO NO BRASIL

Os números a seguir relatam um problema enorme de saúde pública e cada vez mais crescente no nosso país. Os custos para o tratamento da hipertensão são assustadores. Suas consequências ainda mais.

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EVENTOS REGULADORES DA PRESSÃO ARTERIAL

MECANISMO RENINA-ANGIOTENSINA

Esse mecanismo é responsável pelo aumento dos fluidos corporais, comumente chamado de RETENÇÃO HÍDRICA.  E ele ocorre da seguinte forma:

– O fluxo sanguíneo renal se encontra diminuído, o que acarreta em liberação da enzima RENINA pelo referido órgão;
– Estando a RENINA liberada pelos rins, ela rapidamente estimula a formação de ANGIOTENSINA I,  que por sua vez se converte em ANGIOTENSINA II;
– A ANGIOTENSINA II  produz a constrição dos vasos sanguíneos arteriais e estimula a secreção do hormônio ALDOSTERONA pelo córtex da supra-renal, causando a retenção de sódio e sais pelos rins.

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Portanto, o acúmulo de fluidos dentro do sistema obviamente aumenta sua pressão.

 

MECANISMO NEURO-HORMONAL DA PRESSÃO ARTERIAL

Outros eventos fisiológicos são determinantes para a pressão arterial. Nosso corpo tem uma regulação perfeita e cheia de detalhes. Se o mecanismo RENINA-ANGIOTENSINA tem característica hormonal, citamos aqui o sistema nervoso central (SNC) como controlador adjunto da pressão arterial, controlando diretamente o ritmo cardíaco.

O sistema nervoso simpático (SNS) é responsável por acelerar o ritmo cardíaco, influindo diretamente na pressão arterial. Isso acontece devido à ação das chamadas CATECOLAMINAS, especialmente a ADRENALINA e a NORADRENALINA. Esses hormônios neurais atuam acelerando a despolarização do nódulo sino-atrial. Em termos mais simples, ambos hormônios atuam para dar um ritmo mais acelerado (efeito cronotrópico) e forte (efeito inotrópico) do músculo cardíaco, em uma magnitude quase duplicada quando comparada à não-ação desses hormônios.

O sistema nervoso parassimpático atua contrarregulando o ritmo cardíaco através da Acetilcolina, tendo como ação a diminuição do tônus vagal, um efeito denominado BRADICARDIA.

Leia também: Como o treinamento de força é o principal dentro de um programa sustentado de emagrecimento.

 

MODULAÇÃO HIPOTENSIVA DO EXERCÍCIO

Já está bem estabelecido que o exercício exerce diversas alterações fisiológicas, seja em uma única sessão (efeito agudo) ou durante a adesão de várias semanas de modo periodizado e planejado (efeito crônico). Se sabe com certeza absoluta que o exercício exerce efeito hipotensivo, proporcionando uma vida menos dependente de remédios em alguns casos. No entanto, muitos desses efeitos ainda não estão bem elucidados na literatura. A seguir, listo alguns dos mais importantes que se tem pleno conhecimento.

Com relação a hipertensão, os principais benefícios são:

SECREÇÃO DE BRADICININA E ÓXIDO NÍTRICO

Ambos tem síntese e atividade aumentada durante o exercício, tanto aeróbio como anaeróbio, como apontado pela pesquisa de Moraes e colaboradores, da Universidade Federal de São Paulo.
O principal efeito tanto da BRADICININA quanto do ÓXIDO NÍTRICO é provocar vasodilatação, resultando em menor pressão arterial pós-exercício, sendo essa queda observada por até 48 horas.

ANGIOGÊNESE

Em suma, a Angiogênese é formação de novos vasos, novos capilares. O Óxido Nítrico também participa ativamente no processo, assim como um estado temporário de hipóxia, ou seja, a ausência de O² nos tecidos. A essa ausência temporária, resultado de uma demanda aumentada de O² para o músculo esquelético em exercício, a resposta fisiológica é a ativação do *Fator de Transcrição Induzível por Hipóxia* (HIF) que por sua vez induz o aumento do *Fator de Crescimento Endotelial Vascular* (VEGF). Um artigo que relata esse mecanismo de modo mais efetivo pode ser lido aqui.

DIMINUIÇÃO DA ATIVIDADE NERVOSA SIMPÁTICA

Como dito, o sistema nervoso simpático tem ação decisiva na pressão arterial, sendo responsável direto em estado de hipertensão. Esse artigo atribui, segundo suas pesquisas, que a diminuição da atividade nervosa simpática tende a se estender por um prolongado período de tempo, por conta de menor sensibilidade dos receptores Beta-adrenérgicos, resposta tal gerada pelo exercício físico.

MENOR ATIVAÇÃO DO SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA

Em um estudo clássico de Felix e Michellini, foi demonstrado que 3 meses de exercício é capaz de normalizar os níveis do RNA mensageiro do Angiotensinogênio, resultando em menor ativação do sistema Renina-Angiotensina, que por sua vez diminuiria a atividade nervosa simpática, gerando um efeito hipotensivo pelo mecanismo já citado.

 

CRITÉRIOS PARA ELEGER O TREINAMENTO IDEAL

Consulte sempre um Bacharel em Educação Física para que, em posse dos exames prévios e de um acompanhamento diário do comportamento da pressão arterial tanto em repouso como em exercício, ele possa entender cada caso como único e direcionar o volume e intensidade de exercício necessários para o momento. Naturalmente, se todas as variáveis forem consideradas, se torna até mesmo possível que o consumo de diuréticos e beta-bloqueadores seja reduzido ou até mesmo cortados do tratamento.

Mas atenção! Essa condição é extremamente clínica, sendo ela de prerrogativa totalmente médica. Assim como a automedicação é perigosa, a interrupção medicamentosa por critérios subjetivos também o é. Seja prudente.

O exercício possibilitou isso a você? Me conte nos comentários abaixo. 

Grande abraço!

– Prof. Mauro Ramos

Diabetes e a Influência Positiva do Exercício Físico

Diabetes e a Influência Positiva do Exercício Físico

Treino para portadores de Diabetes: Saiba tudo sobre essa síndrome metabólica que acomete mais de 11 milhões de brasileiros e como o exercício atua como um dos principais remédios.

Diabetes precisa de tratamento e o exercício físico é fundamental no controle dos níveis de açúcar no sangue e consequentemente em pessoas com esse quadro.

Segundo o documento de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2015-2016, em 2014 estimou-se que existiriam 11,9 milhões de pessoas, na faixa etária de 20 a 79 anos, com diabetes no Brasil, podendo alcançar 19,2 milhões em 2035. Confira a íntegra do documento aqui.

Esses números são absolutamente assustadores.

A prevalência do Diabetes está associada claramente a duas variáveis absolutamente controláveis: uma má ou descuidada conduta alimentar e ao sedentarismo. Ainda é classificada como um dos componentes mais agudos da chamada Síndrome Metabólica.

Um sistema complexo que envolve o metabolismo dos açúcares (metabolismo glicolítico) e o pâncreas é responsável para níveis normais de glicose no sangue. Valores em jejum até 100mg por decilitro (100mg/dL) são os recomendados, como consta no documento I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica, seguindo as recomendações do American Diabetes Association.

O mesmo documento revela algo alarmante, e que não deixa dúvidas sobre a gravidade do assunto Diabetes:

A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina, devendo ser destacada a sua importância do ponto de vista epidemiológico, responsável pelo aumento da mortalidade cardiovascular estimada em 2,5 vezes.

O problema aparece em grandes proporções quando esses valores extrapolam esse nível de referência e permanecem altos durante várias horas do dia, causando complicações metabólicas e sensoriais como por exemplo:

1. Deficiência da ação insulínica
2. Cegueira
3. Insuficiência renal
4. Gangrena e amputação
5. Infarto do miocárdio
6. Acidente Vascular Encefálico (ou AVC)

Percebam a gravidade do problema. Citei aqui apenas alguns pontos, dentre os quais outras complicações associadas podem ocorrer simultaneamente, levando o sistema fisiológico da pessoa ao completo e perigoso caos metabólico.

Diabetes Mellitus: Entenda a função do pâncreas e da Insulina no corpo humano

O pâncreas é uma glândula endócrina, ou seja, que secreta hormônios para diversas funções fisiológicas do corpo. Tem entre 15 e 25 cm em estado normal e se situa atrás do estômago.

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Dentre suas funções mais nobres, se encontra a secreção pulsátil do hormônio INSULINA. No pâncreas, a região responsável por essa secreção são as *Células Beta*, contidas no que chamamos de Ilhotas de Langerhans.

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O hormônio Insulina tem um papel primordial no controle de açúcares no sangue. Assim que ingerimos carboidratos, a sinalização para a secreção de Insulina é realizada para que o metabolismo da glicose seja iniciado a níveis celulares. Então, é correto afirmar que o PRINCIPAL PAPEL DA INSULINA É SINALIZAR O INÍCIO DO METABOLISMO GLICOLÍTICO E PARTICIPAR DIRETAMENTE NO CONTROLE DOS NÍVEIS DE AÇÚCAR NO SANGUE.

 

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A foto mostra o funcionamento do pâncreas e sua resposta quanto à insulina, em estado saudável no Tipo I e II.

O papel do GLUT-4 e os receptores insulínicos

Se engana quem pensa que a INSULINA é quem faz o transporte do açúcar contido no sangue para seu metabolismo no interior da célula. Na verdade a Insulina sinaliza o chamado GLUT-4, uma proteína intracelular contida no citoplasma, para que ele se transloque até a membrana celular, e aí sim, possibilite a entrada dos açúcares no interior da célula para seu metabolismo. A grosso modo, é dizer que a migração do GLUT-4 para a membrana celular a torna mais permeável para a entrada da glicose. Veja no esquema abaixo como isso acontece:

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Sintomas clássicos no Diabetes

– Urinação frequente
– Sede excessiva
– Perda de peso não explicada
– Fome extrema
– Mudanças súbitas de visão
– Formigamento ou dormência nas mãos e nos pés
– Sensação de grande cansaço na maior parte do tempo
– Irritabilidade

 

Tipos de Diabetes

TIPO I

Se dá quando da destruição das células Beta-pancreáticas, o que resulta em deficiência absoluta de insulina. Pode ter causa autoimune (quando o corpo entende que tais células são corpos estranhos e as destroem) ou idiopática (sem causa certa ou conhecida).

TIPO II

Quando há graus variados de resistência à ação insulínica, dificultando sua ação e por consequência, a deficiência no controle dos níveis de açúcar no sangue, levando à HIPERGLICEMIA.

GESTACIONAL

Acomete até 4% das gestantes. As alterações metabólicas na gestação podem resultar em resistência à ação da insulina. Embora sejam alterações decorrentes da gestação, estima-se que entre 30 e 60% dos casos, após a gestação, esse estado diabético evolua para o tipo II.

OUTROS TIPOS

Outros tipos menos frequentes podem ocorrer nos seguintes casos:

– Defeitos genéticos da função da célula beta e da ação da insulina.
– Doenças pancreáticas – pancreatites, alcoolismo, câncer e cirurgias.
– Doenças endócrinas – tumores em glândulas que afetem diretamente a secreção e a ação da insulina como o hormônio do crescimento (GH), cortisol, as catecolaminas e a aldosterona, entre outros.
– Fármacos ou agentes químicos – entre eles esteroides anabolizantes, diuréticos tiazídicos, alfa-interferon, clozapina, etc.

 

Tratamento do diabetes: o papel do exercício físico

O tratamento do diabetes é na maioria dos casos muito simples, e envolve a tríade ADMINISTRAÇÃO INSULÍNICA – DIETA – EXERCÍCIOS FÍSICOS.

Este artigo simples esta no site Eu Atleta , do GloboEsporte.com, e indica de maneira clara e sucinta a importância do exercício físico em algumas doenças,incluindo o diabetes

Exercício físico é a primeira e mais efetiva linha de combate contra o diabetes

É importante ressaltar que o exercício físico exerce papel terapêutico e também profilático, ou seja, atua tanto no tratamento não-medicamentoso como na prevenção do diabetes, especialmente do tipo II.

Pense o seguinte: a principal condição no diabetes é a dificuldade da entrada de glicose nas células para sua utilização, certo?
Nesse cenário como o exercício pode auxiliar?

Lembra que eu citei o GLUT-4 logo acima? Pois é. A contração muscular estimula uma via de sinalização intracelular que favorece o deslocamento do GLUT-4 para a membrana celular, aumentando a permeabilidade da célula, fazendo com que o a glicose consiga entrar mais facilmente na célula. Isso reduz imediatamente os níveis de açúcar no sangue.

Essa redução dos níveis de açúcar no sangue permanece durante as 24 e até 72 horas pós-exercício, em ação semelhante ao EPOC (excess post excersise oxygen consumption). Saiba mais sobre o EPOC no artigo sobre HIIT, emagrecimento e hipertrofia.

A imagem abaixo foi obtida no artigo Turning Signals On and Off: GLUT4 Traffic in the Insulin-Signaling Highway, e demonstra de modo bem complexo como a sinalização insulínica funciona.

Diabetes e Exercício -studioinvictus.com.br

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O exercício por si só aumenta a demanda energética de outros tecidos não envolvidos diretamente no exercício. Como substrato energético fundamental, a glicose passa a ser direcionada com mais velocidade e responsividade nesses tecidos, levando a um melhor controle glicêmico geral.

Outras condições fisiológicas são aprimoradas como resultante do exercício crônico, e levam claramente a um estado mais efetivo da utilização do açúcar no sangue, que por sua vez aumenta a qualidade de vida da pessoa com diabetes, seja tipo I ou II, dispensando em muitos casos o excessivo uso de insulina exógena e outros medicamentos.

 

Impacto do exercício na Hemoglobina glicolisada – HbA1c

Faço questão aqui de transcrever um trecho super valioso da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre os efeitos do exercício durante 12 semanas e seu impacto na Hemoglobina glicolisada.

Estudos randomizados e metanálises evidenciam que exercício físico estruturado que consiste em exercício aeróbico e treinamento de resistência, ou ambos, por pelo menos 12 semanas, está associado à redução da HbA1c em 0,77% dos pacientes com Diabetes tipo 2 em média, quando comparado com o grupo-controle, e que maiores reduções da HbA1c são observadas em exercícios com duração superior a 150 minutos por semana (redução de 0,89%), em comparação com exercícios de duração menor (redução de 0,35%). O exercício físico estruturado foi superior ao aconselhamento de exercício físico e este só se mostrou efetivo na redução da HbA1c quando associado à orientação dietética concomitante.

Provando por A mais B a importância do exercício no tratamento do diabetes!

Treinamento físico e Diabetes

Outrora tão discriminado, o treinamento resistido, mais conhecido como treinamento de força ganha cada vez mais espaço em absolutamente todas as recomendações médicas de vários institutos e organizações mundias, tais como o American College Sports Medicine e a European Society of Cardiology.

Aqui coloco algumas das mais importantes adaptações que resultam do treinamento resistido em pessoas portadoras de diabetes.

Esse estudo foi conduzido por pesquisadores australianos, chefiados pelo Dr. David Scott. Eles chegaram a conclusão que o estado de sarcopenia, ou seja, a perda de massa magra resultante do avanço da idade e da falta de um treinamento de força adequado resulta em maior prevalência de Diabetes tipo II. Isso porque *como o músculo esquelético é o maior tecido sensível à insulina no corpo, a baixa massa muscular na sarcopenia provavelmente resulta em redução da capacidade de eliminação da glicose*.

Músculo! Orgão endócrino extremamente responsivo

Achado semelhante se encontra no estudo de pesquisadores sul-coreanos e americanos, que demonstraram que quanto maior a velocidade da perda de massa muscular, maiores são as desordens metabólicas associadas ao diabetes, e sugerem também, exercícios de alta intensidade no que se refere ao treinamento de força para atenuar tais efeitos deletérios.

É muito óbvia a relação do treinamento de força, ganho de massa magra, melhora das respostas celulares e atenuação dos níveis de açúcar no sangue. Uma cadeia sensacional e indispensável no tratamento crônico do diabetes.

O indicado pela já citada Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes é que haja dentro do programa de treinamento de força entre 10 e 12 exercícios de grande solicitação muscular-metabólica, e que possam ser distribuídos entre 2 ou 3 vezes na semana com volumes e séries que variam de acordo com a condição física de cada paciente/aluno. Cabe ao profissional de educação física julgar e prescrever adequadamente tais exercícios. Quer uma dica sobre quais exercícios fazer? Leia o artigo sobre treinamento de força aqui do blog.

 

Cuidados dentro do exercício

As principais precauções dentro do treinamento físico em pessoas diabéticas são:

Ciência absoluta no índice glicêmico atual. É OBRIGATÓRIO saber qual o nível de açúcar sanguíneo antes do início do exercício físico diário. Níveis acima de 250 mg/dL ligam o sinal amarelo e já requerem práticas mais amenas, como alongamentos e exercícios de mobilidade. Dois são os principais riscos ao se iniciar o exercício de moderada/alta intensidade nesses casos:

1. Dependendo da intensidade do exercício, haverá aumento da atuação das catecolaminas, que fará com que a glicose seja ainda mais disponibilizada no sangue. Isso pode acarretar em um perigoso aumento glicêmico, fragilizando ainda mais as paredes dos vasos sanguíneos. Em casos extremos, essa conduta pode resultar em retinopatias, AVC e infarto agudo do miocárdio.

2. Riscos relacionados ao Efeito Rebote. Por mais que a glicemia esteja alta, e se inicie um exercício de grande volume e baixa intensidade (caminhada em ritmo moderado por 1 hora ou mais) tendem a baixar sistematicamente os níveis de açúcar. Entretanto, o cuidado deve ser observado quando dá administração de insulina no pós-exercício, levando a pessoa ao estado hipoglicêmico. Em casos graves, pode resultar no que chamamos do* choque insulínico*, quando a demanda deste hormônio já não é tão alta, mas ele se torna circulante em grandes quantidades. Isso é extremamente perigoso, principalmente no período noturno.

Atenção nos detalhes a seguir!

Calçados confortáveis, uso de palmilhas de silicone e meias de algodão sem costura. Evitar calçados apertados para que não haja risco de ferimentos ainda que leves e discretos. Isso para o diabético é muito ruim e limitante devido à difícil cicatrização de ferimentos. Descuidos recorrentes podem levar à amputação de membros inferiores.

Alimentos de alto índice glicêmico sempre disponíveis. No caso de queda súbita da glicemia esteja preparado com géis específicos ou alimentos de alto índice glicêmico, como a banana por exemplo.

Se já houver caso comprovado de retinopatia, evitar atividades a todo custo atividades com bola ou de alto impacto, como lutas por exemplo, onde o paciente fica muito exposto a golpes ou choques repentinos. A fragilidade causada pelo estado de retinopatia pode levar a cegueira imediata.

Checagem rotineira da pressão arterial.

 

Minha experiência com diabéticos

Ao longo desses anos já perdi as contas de quantos diabéticos acompanhei. E asseguro o seguinte. O exercício, quando bem direcionado eleva demais a qualidade de vida da pessoa.

Vejo alguns pontos principais nisso tudo, mas principalmente a reinserção do movimento na vida de cada um. Já tive pessoas comigo que tinham a glicemia de jejum perto de 400mg/dL, que tomavam medicamentos o dia inteiro, 7 dias por semana, 365 por ano. Pense no contrabalanço que isso provoca. Nem é preciso explicar muito. As funções hepáticas, cardíacas, renais, enfim, todas elas são super exigidas quando se toma medicamento durante tanto tempo.

Vou dar um exemplo de um senhor que hoje mora Saquarema, no Rio de Janeiro. Nosso trabalho foi capaz de manter e glicemia dele em níveis na casa de 95 a 105, depois de 16 semanas de treinamento, 3 vezes por semana, sendo o carro-chefe o treinamento de força. Fazia muito agachamento sim senhor. E com carga. Ele tinha na época 82 anos.

Por mês seu gasto era de mais de 400 reais com remédios. Os efeitos colaterais eram insuportáveis. As privações também.

E tudo mudou, e segue* muito bem, obrigado*, depois que o exercício passou a ser o determinante em sua vida.

E o jogo segue. Lá em Saquarema.

Volto a insistir! Não tenha medo do exercício! Ele é o mais barato e efetivo contra várias doenças. E nós, profissionais da saúde, temos que estar de braços e mentes bem abertas para atender essa demanda cada vez mais crescente na sociedade.

Se pintou alguma dúvida, pode me chamar a nesse exato momento. Vou te ajudar com certeza.

Grande abraço!