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APARTHEID “FITNESS”: o exercício ainda vive os anos 80?

APARTHEID “FITNESS”: o exercício ainda vive os anos 80?

Porque termos como “exercícios para perder barriga rapidamente” ou “exercícios para hipertrofia pernas e glúteos” reduz drasticamente a importância do exercício físico

Atenção! Vivemos sim uma segregação fitness!

Você com certeza já ouviu algumas ou todas as afirmações abaixo:

“ATÉ TENTO TREINAR, MAS NÃO GOSTO DAQUELES APARELHOS”

“O AMBIENTE NÃO É PRA MIM”

“O QUE UMA PESSOA DE 60 ANOS VAI FAZER NO MEIO DE JOVENS SEDENTOS POR MÚSCULOS?”

“FUI, NÃO GOSTEI, E NÃO VOLTO MAIS”

“SE FOR PRA ME COLOCAR 40 MINUTOS NA ESTEIRA PREFIRO ANDAR NA RUA”

Foram apenas 5 afirmações que percebo no dia-a-dia. Qualquer semelhança…

A pergunta que fica é:

“O EXERCÍCIO É MESMO PARA TODOS, OU EXISTE CERTA SEGREGAÇÃO?”

Sim, é para soar provocativo mesmo.

E se você que esta lendo é estudante ou profissional da área, se sinta mais provocado ainda.

ANOS 80: TV MANCHETE, XUXA, SARRIÁ, DIRETAS JÁ E…ACADEMIAS?

O início dos anos 80 foi marcante para muitas pessoas. A extinta TV Manchete bombava mais que a Globo, a Xuxa começava seu “reinado”, o movimento de Diretas ganhava força descomunal e a maior seleção de futebol já vista nesse país perdeu a Copa mais previsível da história no estádio Sarriá.  Momentos de fato marcantes.

Nesse meio, nosso mercado de academias começava a se expandir por aqui. Uma ou outra pessoa buscava nas salas de musculação as “endorfinas” prometidas por propagandas estrangeiras, que não cansavam de enaltecer os feitos de um moço austríaco, por ocasião morando nos EUA, obstinado e de nome estranho…Arnold Schwarzenegger, vencedor de nada menos que 7 edições do Mr. Olímpia, famoso concurso de fisiculturismo.

Invictus

Ícone até hoje nas academias

Veja. Estamos falando da primeira metade da década de 80.

Que fique claro desde já. Entre primeira metade da década 80, até a metade dos anos 90, não havia uma profissão específica que tivesse como prerrogativa a análise, a aplicação e as soluções para cada pessoa através do exercício físico no Brasil. Isso só veio acontecer com a promulgação da Lei Federal 9.696 de 1 de setembro de 1998, como citado aqui.

Você acha que a mídia tem força?

No início dos anos 90, um personagem chamado “Paulo Cintura” começa a dar as caras em um programa de audiência fenomenal na Rede Globo.

Invictus

Personagem do início dos anos 90, “Paulo Cintura” e seu famoso bordão.

A Escolinha do professor Raimundo, do genial Chico Anysio, também marcou gerações, e teve grande contribuição para o “estereótipos dos frequentadores de academias” que nos acostumamos a ver: “Corpo malhado, regatinha da irmã e um ar de diversão o tempo inteiro”. O bordão “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa“#IIIISSAAAA , é verdadeiro, mas o produto foi mal vendido. Ou não. Aliás, foi bem vendido, mas para um público-alvo específico, quando deveria ser vendido para todos.

Antes mesmo da promulgação da Lei que regulamentou nossa profissão, a mesma Rede Globo, nada boba, lança o seriado de nome sugestivo e com histórias de jovens descolados e meninas com calças “coladas”, onde a paquera era o maior atrativo. O seriado segue vivo até hoje, com enfoque totalmente diferente. O motivo da permanência do nome depois de mais de 20 anos é obvio: o sucesso foi tremendo.

O culto ao corpo passou a ser obsessivo. O mercado de suplementos alimentares, focados em atletas, viu nessa onda “fitness” o nicho mais lucrativo de seu segmento…os frequentadores de academias.

Lembre-se sempre do estereótipo.

Por que estou viajando lá atrás? Para que tudo faça sentido a partir de agora.

Nos acostumamos a enxergar o exercício físico como algo propício só para alguns. Nos venderam a ideia de que academias (aqui tomo o devido cuidado para NÃO generalizar, por que sei que nem todas são assim) são  ambientes de paquera, onde o maior objetivo é suar a qualquer custo, para demonstrar virilidade ou sensualidade. Poder e graça. E que por isso não cabe na concepção de uma pessoa “normal” frequentar tal ambiente por que não “se julga dessa ou daquela tribo”.

Faz sentido pra você?

 

É PARA TODOS OU NÃO?

É claro que sim!

Ninguém deveria hesitar em entrar em uma academia, seja quem for.

Os avanços do nosso conhecimento sobre os efeitos do exercício possibilitou uma gama absurdamente enorme de atuação, e também de responsabilidade quanto nossa área de atuação. Esses avanços vão de encontro às novas exigências do nosso mundo contemporâneo. E nesse sentido, o nosso foco passa a ser todos, sem exceção, como deveria ter sido desde lá atrás. Veja alguns:

Aqui

Aqui

Aqui

No entanto, mesmo com tantos estudos e bases sólidas sobre as maravilhas do exercício para toda a população em suas diversas necessidades, muitos profissionais da área (ou mesmo aventureiros “criminosos” disfarçados de bacharéis) encontram naquela década inspirações para suas maluquices perigosas e irresponsáveis. Ainda bem que naquele tempo não havia Facebook ou Instagram…

invictus

Esse aí é figura carimbada nas “revoltas bem humoradas” do Prof. Paulo Gentil

Se você é profissional de educação física ou estudante da área, atenção.

Ou você sai dos anos 80, onde claramente muitos profissionais ainda estão, ou você fará sua profissão obsoleta em poucos anos.

Muitos reclamam da desvalorização da profissão. Acho o assunto bem relativo. Pessoas se desvalorizam. A profissão é digna e de importância crescente para os próximos 50 anos no mínimo.

Agora, se você que esta lendo e é da área, cuidado. Se seu propósito com o exercício é gerar dor muscular no dia seguinte, não perca seu tempo montando planilhas. Basta prescrever o famigerado 3 de 10 levantamentos de baldes de água, dos bem cheios. Ou, se o seu objetivo é deixar seu aluno suando em bicas, esperando que ele morra, não perca seu tempo montando e pensando soluções efetivas, inaugure uma sauna.

Faça jus. Você é profissional do exercício. Contexto, necessidade, periodização.

 

NÃO AO APARTHEID! SIM À REVOLUÇÃO!

 

É nosso papel dar caminhos coerentes para nossa profissão. Tenho muita gratidão e admiração por profissionais que levantam essa bandeira, em um momento cada vez mais complicado de nossa sociedade. Cito brevemente o professor Paulo Gentil, por sua sempre “bem humorada e justa revolta” e o professor Tiago Proença, que tanto se esforça em seus projetos à frente da BPro de Porto Alegre. Ambos tem, assim como eu, o desejo mais latente e nobre que um profissional de educação física deve ter: dignidade na defesa da profissão regulamentada em 1998.

Nossa importância se alastra para todos. Atendemos não a esteriótipos. Atendemos pessoas em suas necessidades e anseios. Digo aos meus clientes e alunos o seguinte:

SOMOS COMO MÉDICOS, MAS NÃO “ABRIMOS NINGUÉM”

E devemos evitar que abram.

Nossos conhecimentos devem ser adequados para atender a você que precisa do exercício para controlar a hipertensão, o diabetes, os efeitos deletérios do câncer e seus tratamentos, artrite, artrose, condromalácia patelar, bursites de quadril e ombros, colesterol alto, fibromialgia, hérnias de disco, etc. E devem sim ser atualizados com obsessão única.

Aliás, quem entende de movimento (biomecânica e cinesiologia) e suas respostas fisiológicas, em seus volumes e intensidades somos nós. Fica a dica.

Por isso tenho como missão particular zelar pela sociedade como um TODO, não somente a uma parcela. Exercício é para todos, academia deve ser ambiente de todos.

Vamos atender a todos em suas necessidades e anseios. Hipertrofia e emagrecimento são as pontas do iceberg. A sociedade precisa de nós urgentemente, ou não?

Cabe a esses gritos quebrar o paradigma da “regatinha da irmã” e colocar o exercício na primeira das prateleiras de prioridade das pessoas.

Isso vai engrandecer a todos. A nós e à população.

E você? Treina ou aluga as máquinas da academia?

E você? Treina ou aluga as máquinas da academia?

Se você continua na academia com as mesmas cargas no supino desde os últimos meses e não consegue avançar nem um pouco, esse artigo é pra você.

Você já se perguntou o porque disso acontecer? A resposta é simples. Você não esta treinando.

-Bah! Mas como assim?

Explico.

Treinamento exige contexto, plano de ação e ponto de partida. É o que chamamos no mundo do treinamento físico de PERIODIZAÇÃO. O sentido da periodização é exatamente situar o início, o meio e o fim de um ciclo de treinos focados e estruturados para seu objetivo principal, sem esquecer as outras demandas que você precisa desenvolver para se chegar a um resultado sustentado e contínuo.

Em muitos casos, o praticante frequenta a academia por “N” motivos, como por exemplo fazer o social, estabelecer novos vínculos ou simplesmente se manter ativo sem grandes ambições, mas a maioria esmagadora do público de academias entra com metas específicas, e o ganho de massa muscular (hipertrofia) ou emagrecimento são os principais motivos. E um argumento bem lúcido vai fazer você me dar razão: observe a quantidade de frequentadores de academia que fazem uso de suplementos esportivos. Eles não consomem só para fazer um social, consomem porque querem resultado. E rápido se possível.

O que separa o médio do excelente? Planejamento.

No geral, os treinos são montados de maneira aleatória, empírica, e sem um ponto de partida. Veja bem, no geral. Conheço muitos lugares de excelente estrutura técnica e filosofia a longo prazo que sabem como periodizar o treinamento de seus alunos, tornando-os clientes fiéis e solidificando o real sentido do exercício físico na vida das pessoas, além de engrandecer a classe dos profissionais de educação física.

Não se trata apenas de ter um treino novo a cada 60 dias ou quando se completam 30 treinos. Não se pode confundir variabilidade de sistemas de treino com mesociclos de treinamento. E é justamente nesse ponto que se difere aquele que vai suar na academia daquele que vai construir seu legado de sucesso.

Um exemplo dos mais claros é quanto ao treinamento de força. Não vejo sentido em se desenvolver resistência de força (na literatura um número de repetições entre 12 e 15) antes de estimular força pura ou força máxima. A inclusão de cargas de menor peso e mais repetições em treinos para iniciantes para que o praticante se acostume gradativamente não é um conceito errado, a ponto de um dos grandes proponentes do treinamento de força enfatizar isso em suas obras, o que se tornou praticamente um mantra em salas de musculação. Como dar resistência de força se o sujeito não treinou força na essência? Me refiro a força e suas adaptações neurais. É uma quebra de paradigma necessária e que me fez ganhar muito tempo com relação ao resultado dos clientes. Por que não daria certo com você?

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Tendo um ponto de partida com base sustentada, é perfeitamente possível vislumbrar o seu progresso já a longo prazo, sem a necessidade de apenas esperar por um resultado ou ficar no sistema “Tentativa e Erro”.

Faz sentido pra você? Isso pode te ajudar um pouco mais. Clique aqui

Aí que mora a diferença entre alugar máquinas e comprar treinamento. R$ 49,90?

Uma queixa comum e totalmente justa dos praticantes em relação às academias é a falta de acompanhamento técnico e suporte necessário, não só durante o treino, mas principalmente no bastidor, ou seja, na montagem da planilha INDIVIDUALIZADA, pensada especificamente para seus anseios e necessidades. Vejo muito o sujeito com o CONDICIONAMENTO FÍSICO E DEFINIÇÃO MUSCULAR fazendo treinos totalmente confusos e sem conexão. Ou o resultado vai demorar a aparecer ou simplesmente não aparecerá. E isso se estende a todos os outros casos, seja de hipertrofia, de emagrecimento, etc.

Mas…tem o outro lado da história, onde já estive inserido e sei bem como funciona. Uma academia que em horário de pico recebe até 80 alunos por hora, aquela loucura toda da segunda feira, um movimento incessante e enlouquecedor, com apenas 2 ou 3 professores para atender a demanda. No meu ponto de vista a atuação do profissional de educação física não tem conotação simplista em apenas checar se o exercício esta correto ou não. Isso é parte mínima do contexto geral. Se trata de profissionalizar ao máximo o trabalho indo além do básico, além do trivial. É acompanhar na essência a evolução dos treinos de cada um e fazer as intervenções necessárias se aquilo que foi proposto não vem gerando o resultado esperado. Nisso cresceu de forma justa a atuação do PERSONAL TRAINER, encarregado desse planejamento customizado, bem como das assessorias presenciais ou on-line.

Por esse mesmo motivo o número de estúdios de treinamento personalizado cresceu bastante, e tende a absorver cada vez mais adeptos. A exigência de mercado atual gera uma expectativa ainda maior do cliente em relação ao que é personalizado, visto que hoje praticamente tudo, desde móveis até carros é customizado para cada gosto e anseio.

Aí quando a mensalidade da academia beira os R$49,90, fica claro que você esta apenas alugando máquinas, ao invés de comprar treinamento. O que não é um problema se você aceitar o fato de que a probabilidade de erros com seu corpo e resultados cresce dramaticamente. Somente ir à academia não resolve seu problema, o contexto do seu treinamento é quem determina seu sucesso ou seu fracasso.

O que gera valor pra você não é o equipamento, mas como você extrai dele o melhor de modo eficaz e inteligente, a curto, médio e longo prazo.

Conhecimento técnico é sempre o diferencial. E somos atentos aos seus desejos e necessidades.

Mesmo praticantes experientes necessitam de suporte quando se trata de exercício físico. Por que? Porque atingir um platô é muito fácil e estagnar em um mesmo ponto é natural quando o planejamento não existe. Um olhar profissional de fato enxerga o antes, o durante e o depois do ciclo de treinamento e não somente a dificuldade empregada nele.

Amparar e estruturar sempre o melhor para cada cliente é minha prerrogativa e de todos os profissionais de educação física. Exigir que isso de fato aconteça é prerrogativa sua.

E atenção! Falamos sobre treinamento e individualização durante esses últimos minutos. Então não faz sentido pensar no melhor quando aulas em grupo são vendidas de maneira meramente lucrativa. Circuitos, aulas com 20 pessoas fazendo as mesmas coisas, e por aí vai, não pode ser contextualizada como treinamento. Não existe começo, meio e fim. Existe vibração e suor de sobra, menos treinamento. Cuidado com isso.

Para onde seu treino esta te levando? Se a resposta demorar a aparecer, o conceito deve mudar. Não faz sentido despender esforço sem que haja coerência por trás disso. A frase do filósofo Sêneca, datada do Século IV A/C já sabia disso ao dizer:

Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir.

Grande abraço.

Sobre fábulas, exercício e frustrações. E 3 dicas de ouro para um foco sem perturbações

Sobre fábulas, exercício e frustrações. E 3 dicas de ouro para um foco sem perturbações

A inesperada (mas comum) relação entre fábulas, exercício e frustrações.

Fábulas: um mundo de faz-de-conta. Também no exercício.

Ok, eu sei que devo falar de exercício. Mas vou te contar uma história.

Ao longo da nossa infância somos imersos em um mundo de fábulas. Cada história que ouvimos de nossos pais e avós tem  personagens e historias incríveis e deliciosas. Nessa fase doce da nossa vida, tudo o que ouvimos  é  sutilmente possível. Crianças são realmente seres especiais.

Vários estudos sobre desenvolvimento cognitivo enaltecem a importância dessas histórias fantásticas na capacidade do cérebro de cria novas conexões em uma fase da vida em que ser verdade é só uma questão de ponto de vista.

No entanto, não só a criança de beneficia em ouvir essas fábulas e construir em tempo real sua própria história através do que se ouve, mas também quem a narra, através de seu sistema construído e desenvolvido de disparos e conexões neurais possibilita que a mesma história escrita seja visualizada de formas únicas, sendo sua construção produto de cada cérebro.

Nesse ponto da sua leitura você deve estar pensando: o que esse maluco tá falando?

Calma, a ideia começa a ficar clara a partir de agora.

Exercício

Leia uma palavra de cada vez e faça o teste de, assim que ler fechar os olhos e tentar gravar a primeira imagem que vem à sua cabeça.

1. EXERCÍCIO
2. EMAGRECIMENTO
3. DIETA
4. FORÇA

Nessa simples exercício de ler e imaginar, tenho certeza que você “construiu” imagens que nunca passaram pela minha cabeça.

E é nessa jogada que exercício e fábula se encontram perigosamente.

Ligações perigosas

Todos sabem da importância do exercício. Não à toa, o mercado fitness cresceu no período de recessão do nosso país. Veja aqui >>>

Sim. Aquela história de que a academia é o primeiro corte de gastos diante à crise não se aplica para a maioria das pessoas como ouvimos falar durante tanto tempo.

Então, você adere a um plano na academia que mais te chamou a atenção, e já começa no mesmo dia. Pilhado e confiante! E sem hipocrisia, em 90% dos casos, o objetivo é estético. A saúde? Segundo ou terceiro plano e olhe lá, infelizmente.

E já inserido nesse mundo de exercício, esforço e recompensa, você logo visualiza seu foco, sua meta de quilos a perder, por exemplo. O professor, sempre responsável (exijam isso!) te explica algo parecido com:

“Muito bem, nossa primeira etapa de trabalho será conhecer seus padrões motores, identificar os pontos fortes da sua capacidade física atual, para que a partir daí possamos elaborar o seu primeiro ciclo de treinos, que terá duração de 4 semanas, onde nossa intenção é aprimorar sua capacidade neuromuscular e cardiorrespiratória, e posterior e sucessivamente, os ciclos serão elaborados de acordo com as necessidades presentes a cada período, sempre visando a perda de peso, que ocorrerá a um primeiro momento em 15 ou 30 dias, dependendo da sua adaptação fisiológica perante os trabalhos propostos e realizados. Claramente você perceberá maior disposição durante seus dias, a custa de melhor vascularização, aumento sérico de alguns hormônios e algumas citocinas, e se sentirá outra pessoa”

Mas o que o você realmente ouviu nesse belo prognóstico inicial e gentil do professor foi:

Perda de peso em 15 ou 30 dias.

Nesse momento, o que mais importa para você é se ver como se imaginou quando assinou o contrato da academia. Pior, mas bem pior, é quando seu ideal de resultado vem de fotos de beldades do Instagram.

Lembra da fábula? Ela entra agora em todos os cenários da sua jornada rumo ao objetivo desejado. E isso pode ser amplamente traiçoeiro à medida que o tempo passa, e os resultados que você espera, pautado na história de outra pessoa, não aparacem.

Vou citar 3 exemplos e 3 dicas para que seu foco seja de fato você, e não você sendo espelho de outra pessoa.

Cenário 1

Quando você vislumbra corpos exuberantes, não importa o quão longe você já avançou. Nada estará bom se simplesmente não tiver a mesma silhueta da modelo instagrete.  E sim, você acaba ludibriado por um resultado muitas vezes ilusório para sua realidade, já que você nunca saberá de fato por quanto tempo aquela pessoa esta se dedicando para tal resultado, e ainda, quais foram os recursos que fizeram o resultado ser o que é. Nos acostumamos a ver o palco das pessoas, não seu bastidores. Por isso, ver somente o resultado final daquela pessoa pode fazê-lo enxergar o caminho traçado como algo fácil ou que demande pouco ou nenhum esforço. Como ela pode e eu não? Imediatismo definitivamente não combina com exercício. Isso é fábula!

DICA #1 Construa você mesmo sua realidade, dia após dia. Isso envolve caráter.

Cenário 2

Você tenta direcionar o pensamento do seu professor para seus exercícios preferidos.

Como assim? Mas não é para isso que eu pago minha mensalidade ou meu personal?

Pode parecer loucura, mas não passará de pura fábula o pensamento de que coxas e glúteos grandes, ou peitorais enormes dependem exclusivamente de inúmeros e mirabolantes exercícios específicos para essas regiões do corpo, e que fazem parte dos seus queridinhos na academia.  Volume de treino é diferente de intensidade de treino. E acredite, é a intensidade certa com os exercícios corretos para o momento que resultarão em grandes avanços.

O conceito de menos é mais se aplica perfeitamente aqui.

Ainda em dúvida? No final do texto deixarei dois links de pessoas extremamente gabaritadas e que considero genialmente simples ao apresentarem resultados sustentados e diretos. Recomendo fortemente que você veja.

Pense no seguinte. Para o mercado fitness, quanto mais você se cansar e quanto mais você ficar absolutamente imóvel no day-after, mais você classificará o treino como excelente e matador. Logo, sua análise e expectativa te levarão a pensar que quanto mais melhor, não importa a consequência. Fábula! O menos, bem feito, é sempre mais. Leva mais de 2 horas na academia? Então ou você esta falando muito, ou você ainda esta apegado à ideia de que para o exercício ser efetivo é necessário no mínio 184 séries para cada parte do corpo. Essa ideia é dos anos 80 meus amigos.

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Afinal, quem é seu mentor?

Já presenciei muitos casos em que aluno dá a diretriz de treino para o professor, definindo ele mesmo o que fará e o que não fará parte do treino. E o pior! O professor aceita! Se ele elabora a planilha de treino com aquele exercício que você detesta, não fique bravo, nem queira você ser seu próprio mentor. A médio e longo prazo, aquele exercício que você não entendia o porque de estar tão presente na sua rotina  se justificará, tendo sido ponte para melhoras e avanços que só foram possíveis através dele.

Questione sempre, entenda o contexto, e como diz Gabriel Goffi, Bora pra action!

DICA #2 Faça questão de saber em que ciclo de treino você esta. Questione seu mentor.

Cenário 3

Você passa a buscar mais e mais informação na internet sobre dicas de treino. Claro! Lá tem tudo!

Tem mesmo, e te garanto: é um paraíso, só que dentro de um campo minado. Mas visto que já chegamos a um ponto absurdo de uma epidemia de automedicações prescritas pelo Dr. Google, não surpreende que seja assim também com rotinas de treino.

Uma imagem sempre diz mais que mil palavras. Olha aí:

No mesmo dia você tende a começar a fazer o mesmo exercício desse rapaz, não importando em que  contexto o profissional responsável pelo treinamento dele o direcionou.

Contexto e individualidade biológica pra que né?

 

 

Ou, a menina que esta lendo agora olha a bela silhueta da moça da foto e fica impressionada. OMG!

Aqui dois sentimentos serão nítidos:

1.Ou a raiva vai descer como o capiroto nos dois:

“Por que meu professor não passa isso na minha série? Isso é que é treino de verdade!!”

SQN.

2. Ou, a sensação que você descobriu a pólvora te levará a cochichar para os amigos seus achados no Youtube University.

Balela.

DICA #3 Use pequenas metas como pontes para um sucesso maior

 

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Mantenha-se focado! Em você, não nos outros.

Ainda sobre frustrações

Não é raro ouvir de especialistas algo que já experimentamos várias vezes durante nossa vida. O modo como lidamos com as frustrações irá determinar ou não o sucesso em uma empreitada, seja ela qual for. No trabalho, na escola, na família e também na academia. Faz parte do processo de vida as frustrações cotidianas. Ainda mais em um período crítico do nosso mundo em relação ao culto ao corpo e a famigerada corrida pelos corpos esculpidos pelo Dr. Photoshop, que ironicamente servem de modelo para muitas pessoas. Fábula, é você?

Sou professor e responsável por muitos desses sonhos.
Aprendi, ao longo de muitos trabalhos, que a frustração resultante de tentativas passadas, seja para qual o for o objetivo onde o exercício esteja inserido, é o maior vilão com quem tenho que lidar. Mais vilão que o brigadeiro, a lasanha e a cerveja.

Sabe por que?

Estamos falando de treinamento. E treinamento de verdade requer planejamento, processo, continuidade e tempo. Claro que não estamos falando de anos para que o resultado se apresente, mas tampouco aparecerá em 48 horas. O medo de investir tempo e esforço nesse processo, principalmente para o emagrecimento, levará a pessoa a buscar alternativas medonhas como chás milagrosos (fábula), jejuns irresponsáveis (fábula), fármacos e mais fármacos combinados (fábula) ou seguir uma dieta a risca que uma beldade faz (fábula mor).

Nesse cenário tenho que mostrar autoridade e ser duro. Há que se entender que em nenhum caso o resultado esperado virá de graça. Duas são as alternativas:

1. TREINAMENTO (exercício, contexto e continuidade) e a famosa alimentação adequada.

Custos: 4 horas por semana e esforço físico
Benefícios: Construção sustentada e segura de um físico ideal
Riscos: Nenhum, desde que o seja bem instruído e com disciplina
Bônus: Saúde cardiovascular em dia, controle de pressão arterial,

2. REMEDINHOS DO BALACOBACO e TREINOS SUPER MEGA POWER PLUS BY INSTAGRETES E YOUTUBERS!

Custos: ás vezes o tempo para a compra do shangrilá ou ver o vídeo da beldade. 5 minutos são suficientes
Benefícios: Construção forçada, sem sustentação e bagunça generalizada no seu  sistema orgânico
Riscos: Complicações agudas e/ou crônicas das funções fisiológicas e mecânicas do corpo.
Bônus: Nenhum

As cartas estão na mesa! A escolha é sua.

Lembra que no início no artigo comentei sobre duas ótimas referências? Aqui estão elas

Perfil do Dr. Paulo Gentil no facebook

Perfil do Phd Martin Gibala (CAN)

Foco! E nos vemos em breve!